Por Ryan Patrick Jones e Maria Cheng
19 Jul (Reuters) - O governo canadense anunciou neste domingo que negará a entrada a qualquer estrangeiro que tenha estado no Congo nos últimos 21 dias, como parte de novas medidas temporárias nas fronteiras para combater a propagação do Ebola.
A proibição contraria as recomendações da Organização Mundial da Saúde, que desaconselha restrições de viagem ou comércio com o Congo, onde as autoridades estão atualmente lutando para conter um grande surto de Ebola. A agência de saúde da ONU afirma que restrições de viagem geram estigma e podem tornar as epidemias mais difíceis de controlar.
“Pessoas de regiões afetadas e comunidades africanas têm enfrentado suspeitas injustas”, afirmou a OMS em um comunicado no mês passado. “A propagação do Ebola não é determinada pela nacionalidade ou etnia.” A OMS estima que o risco de o surto de Ebola no Congo se espalhar internacionalmente seja baixo.
Em comunicado divulgado neste domingo, a Agência de Saúde Pública do Canadá afirmou que “limitar a entrada de estrangeiros que estiveram no (Congo) nos últimos 21 dias pode reduzir os riscos à saúde pública para os canadenses”.
As medidas entram em vigor na segunda-feira, 20 de julho, informou a Agência de Saúde Pública do Canadá em um comunicado.
A agência não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
O Ebola se espalha principalmente por meio do contato direto com fluidos corporais de alguém infectado pela doença. Até 15 de julho, o Congo havia registrado mais de 2.100 casos de Ebola, incluindo 828 mortes.
Na semana passada, os EUA adotaram medidas que impedem a entrada no país, por meio de voos comerciais, de norte-americanos que tenham estado no Congo nos últimos 21 dias. Sete trabalhadores humanitários norte-americanos que estavam atuando no Congo para conter o surto estão atualmente em quarentena em uma instalação no Quênia.
(Reportagem de Ryan Patrick Jones em Toronto)



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