SÃO PAULO, 27 Mar (Reuters) - A demanda pela exportação de carne bovina do Brasil segue forte, com avanços importantes nos embarques para os Estados Unidos, União Europeia, Chile e Rússia, o que deverá permitir que o maior exportador global lide com uma cota restritiva de embarques para a China, afirmou nesta sexta-feira a Associação Brasileira dos Frigoríficos (Abrafrigo).
"O bom ritmo das vendas neste início de ano é um forte indicativo de que as medidas de salvaguardas impostas pela China às importações de carne bovina devem ter impacto reduzido para o Brasil neste ano", afirmou a entidade em nota, em referência a medidas do maior importador.
A guerra no Oriente Médio, dependendo de sua extensão e implicações, pode ser um fator prejudicial às exportações brasileiras deste ano, devido ao aumento nos custos logísticos, acrescentou a Abrafrigo.
Mas o setor de carnes, diante da demanda forte, tem conseguido redirecionar embarques, ou mesmo operar outras rotas que contornem o Estreito de Ormuz para entregar a países do Oriente Médio, que está sendo impactado pela guerra.
A Abrafrigo citou que os Estados Unidos, segundo maior mercado para a carne bovina do Brasil, precisam importar 2,5 milhões de toneladas em 2026, conforme informações do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Esse grande volume acontece com o país atravessando um ciclo de baixa de animais, que reduz a disponibilidade de carne.
Além disso, outros mercados como Chile, Rússia, Egito, Emirados Árabes, México e Arábia Saudita também apresentaram "crescimento expressivo" de importações de carne bovina do Brasil no primeiro bimestre do ano, disse a Abrafrigo.
Há, ainda, "boas perspectivas" de consolidação e abertura de novos mercados, como Vietnã, Indonésia, Japão e Coreia do Sul, "o que deverá contribuir para manter aquecida a demanda pela carne bovina brasileira no mercado internacional".
Segundo a Abrafrigo, mesmo considerando um cenário em que o Brasil "esgote" sua participação na cota da China -- de 1,1 milhão de toneladas livres da tarifa mais alta de 55% --, "a tendência é de que o aumento da demanda em outros mercados e a restrição pelo lado da oferta mantenham forte a demanda por animais para atender as exportações de carne bovina deste ano".
No primeiro bimestre, as vendas de carnes in natura e industrializada -- considerando miudezas e outros subprodutos de bovinos -- aumentaram 39% em receitas para US$2,865 bilhões, enquanto os volumes cresceram 22%, para 557,24 mil toneladas, segundo dados da Abrafrigo.
Somente para os EUA, por exemplo, as vendas de carne bovina in natura cresceram 97,3% no primeiro bimestre, para US$379 milhões, enquanto o volume embarcado teve um incremento de 60%, para 63,08 mil toneladas.
As vendas para a União Europeia do produto in natura cresceram 24,6% em receitas, para US$121,4 milhões, e 18,8% em volume, para 14,17 mil toneladas, disse a Abrafrigo.
(Por Roberto Samora)


