LONDRES — Após o atentado contra frequentadores da mesquita de Finsbury Park, no início da madrugada de segunda-feira, a polícia da capital londrina anunciou um reforço na proteção às comunidades muçulmanas da cidade, que permanecerá em vigor “pelo tempo que for necessário”, nas palavras da ministra do Interior, Amber Rudd. Mas antes mesmo do incidente, mais precisamente logo após o atentado que deixou 22 mortos e 119 feridos na Manchester Arena, no fim de maio, os ataques islamofóbicos tiveram um aumento superior a 400% no país, afirma a ONG Tell Mama, que registrou 25 casos de islamofobia na semana anterior ao ataque, e mais de 130 na semana seguinte. Em Londres, chefes da polícia local confirmaram um aumento nos crimes de ódio contra muçulmanos nas semanas que antecederam o atentado à mesquita, mas não apresentaram números.
“Sabemos que ataques terroristas e outros eventos nacionais e globais têm o potencial de provocar ondas breves de crimes de ódio”, afirmou, em comunicado, Mark Hamilton, representante do Conselho Nacional dos Chefes de Polícia. “Aumentamos os registros centrais de crimes de ódio para que padrões e ameaças possam ser identificados.”
Segundo a polícia londrina, nos 12 meses que antecederam março de 2013 foram registrados 343 incidentes de islamofobia. O mesmo período foi avaliado em 2016, com 1.109 casos, e em 2017, com 1.260. Em um caso inusitado, o cirurgião Naveed Yasin, que ajudou a socorrer feridos no ataque de Manchester, foi hostilizado e chamado de “terrorista” quando se dirigia ao hospital Salford Royal.
O ex-líder da Liga de Defesa da Inglaterra, Tommy Robinson, recebeu duras críticas e foi acusado de tentar explorar o ataque à mesquita, após se referir ao atentado como “vingança”. “A mesquita tem um longo histórico de criação de terroristas e jihadistas radicais, e de promoção do ódio e da segregação”, afirmou Robinson no Twitter, horas após o atentado em Finsbury Park.
Também no Twitter, J.K. Rowling, autora da saga “Harry Potter”, criticou a imprensa, a quem acusou de culpar as vítimas pelo ataque, e lembrou que a mesquita de Finsbury Park ganhou prêmios recentemente pela ajuda no combate ao extremismo.
O ministro de Segurança, Ben Wallace, afirmou que a extrema-direita britânica tem se tornado cada vez mais organizada, e revelou que em diversas regiões do país, o Prevent, programa antirradicalização do governo, realizou mais intervenções relacionadas ao extremismo de direita do que ao radicalismo islâmico.
— Vemos tantos pais levando seus filhos aos comícios de extrema-direta quanto vemos famílias em eventos de islamistas radicais — afirmou Wallace. — É triste ver que se trata de dois lados da mesma moeda que se alimentam um do outro.

