Por décadas, marinheiros relataram o surgimento repentino de paredes de água com dezenas de metros de altura em meio a tempestades, histórias que muitos cientistas tratavam como lenda. Isso mudou em 1995, quando uma plataforma de gás no Mar do Norte foi atingida por uma onda de mais de 25 metros, capaz de entortar estruturas de aço e arremessar equipamentos pesados pelo convés. O episódio se tornou a primeira prova concreta de que essas "ondas rebeldes" realmente existem — e, agora, uma nova pesquisa mostra como é possível antecipá-las.
Um grupo de cientistas analisou mais de 27 mil medições de ondas coletadas ao longo de 18 anos por sensores a laser instalados em uma plataforma no Mar do Norte. O estudo identificou um padrão específico que aparece pouco antes de uma onda gigante se formar: quando diferentes "trens" de ondas se cruzam de determinada maneira, seus picos naturalmente mais afiados se somam e criam, momentaneamente, uma única onda muito mais alta que as demais ao redor.
A descoberta contraria a explicação mais aceita até então, baseada em experimentos de laboratório que forçavam ondas artificiais a se comprimirem em canais estreitos até se empilharem. Segundo os pesquisadores, o oceano aberto funciona de forma bem diferente: sem barreiras que concentrem a energia das ondas, o fenômeno depende dessa combinação natural entre cristas e depressões, e não de um acúmulo forçado. Esse padrão já foi observado em eventos reais, como uma onda de cerca de 17 metros registrada por câmeras durante uma tempestade no Mar do Norte em 2023.
Com esse tipo de sinal de alerta, especialistas acreditam ser possível prever a chegada de uma onda gigante com até um minuto de antecedência — tempo que pode ser suficiente para embarcações e plataformas se prepararem para o impacto. A expectativa dos cientistas é que, com o avanço da inteligência artificial, de satélites e da coleta de dados em boias espalhadas pelos oceanos, esse tipo de monitoramento possa ser ampliado globalmente, transformando um fenômeno historicamente imprevisível em um risco cada vez mais controlável para a navegação mundial.



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