DUBAI, 7 Mar (Reuters) - Clérigos da linha dura pediram a escolha rápida de um novo líder supremo para ajudar a guiar o Irã, informou a mídia iraniana neste sábado, enquanto a República Islâmica sofre com uma nova onda de ataques dos EUA e de Israel.
Os apelos sugerem que alguns membros do establishment clerical podem não se sentir confortáveis em deixar o poder nas mãos do conselho de três homens encarregado temporariamente após a morte do líder supremo Ayatollah Ali Khamenei, que tinha a palavra final em todas as questões de Estado.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que os EUA deveriam ter um papel na escolha do novo líder, uma exigência que o Irã rejeitou.
No fim do sábado, a mídia iraniana citou o aiatolá Hossein Mozafari, um dos 88 membros da Assembleia de Especialistas, o órgão clerical encarregado de escolher o próximo líder, dizendo que o grupo poderia se reunir nas próximas 24 horas para tomar uma decisão.
Não ficou claro se isso envolveria uma reunião presencial. Fontes disseram que alguns clérigos já haviam realizado consultas online.
A declaração de Mozafari seguiu-se a comentários anteriores de clérigos da linha dura que exigiam uma decisão rápida.
O grande aiatolá Naser Makarem Shirazi, cujo título significa que ele tem um grande número de seguidores para suas decisões religiosas, disse que uma nomeação era necessária rapidamente para "ajudar a organizar melhor os assuntos do país", informou a mídia estatal.
Na semana passada, duas autoridades religiosas xiitas de alto escalão também emitiram fatwas, ou decretos religiosos, conclamando os muçulmanos de todo o mundo a vingar o assassinato de Khamenei. Makarem Shirazi disse que esse era um dever religioso dos muçulmanos "até que o mal desses criminosos seja erradicado do mundo".
O grande aiatolá Hossein Nouri Hamedani também pediu aos membros da Assembleia de Especialistas que acelerem o processo de escolha do sucessor de Khamenei, informou a mídia estatal.
Seguindo as regras estabelecidas na constituição do Irã, um conselho de três homens, composto pelo presidente, um clérigo sênior e o chefe do judiciário, assumiu o papel do líder supremo até que a assembleia decida.
A constituição estabelece que um líder supremo deve ser escolhido dentro de três meses.
(Reportagem de Parisa Hafezi)

