Por Nandita Bose e David Morgan
WASHINGTON, 16 Jul (Reuters) - O presidente dos EUA, Donald Trump, planeja proferir um discurso no horário nobre nesta quinta-feira com foco na segurança das eleições, chamando novamente a atenção para suas reclamações de longa data sobre os sistemas de votação e a administração eleitoral, em um momento em que os republicanos enfrentam eleições de meio de mandato desafiadoras em novembro.
A Casa Branca estava decidindo se as declarações do presidente incluiriam a divulgação de informações confidenciais relacionadas à intenção ou capacidade da China de interferir nas eleições norte-americanas de 2020, informou a Reuters na quarta-feira, citando quatro fontes. Algumas autoridades do govenro Trump temiam que as informações pudessem passar uma impressão enganosa, disseram as fontes.
Trump vem há anos levantando dúvidas sobre os resultados eleitorais, alegando falsamente que sua derrota em 2020 para o democrata Joe Biden foi fraudulenta. Ele também divulgou outras alegações falsas, incluindo que o voto por correspondência está repleto de fraudes, que as urnas eletrônicas são vulneráveis e que o voto de não cidadãos é generalizado.
Vários tribunais e recontagens de votos não encontraram evidências de fraude em grande escala nas eleições de 2020.
INFORMAÇÕES DA CHINA EM ANÁLISE
As informações de inteligência sobre a China, coletadas durante o primeiro mandato de Trump, de 2017 a 2021, não mostraram que Pequim tivesse manipulado ou alterado votos, disseram fontes à Reuters.
Uma força-tarefa da Casa Branca liderada pelo jornalista conservador John Solomon solicitou recentemente à comunidade de inteligência documentos que descrevessem as informações e passou as últimas semanas analisando-os antes do discurso de Trump, disse uma fonte familiarizada com o trabalho do grupo.
A versão final do discurso ainda não estava pronta até o meio-dia desta quinta-feira e continuava sujeita a alterações por parte do presidente, disse uma pessoa a par dos planos. Vários integrantes seniores da Casa Branca estavam ansiosos com o que o presidente acabaria dizendo em seu discurso e como isso poderia afetar as chances dos republicanos nas eleições de meio de mandato de novembro, disse a fonte.
“O presidente fará um anúncio muito importante com relação à integridade de nossas eleições”, disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, nesta quinta-feira, acrescentando que “tudo o que ele disser será respaldado por fatos e evidências”.
O Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional não respondeu aos pedidos de comentário sobre a reportagem da Reuters na quarta-feira, e a CIA se recusou a comentar.
Membros democratas da Comissão Permanente de Inteligência da Câmara enviaram uma carta ao diretor interino de Inteligência Nacional, Bill Pulte, juntamente com os chefes do FBI, da Agência Central de Inteligência (CIA) e da Agência de Segurança Nacional (NSA), alertando-os para que não permitam que Trump “utilize a inteligência como arma para apoiar alegações falsas sobre a segurança das eleições”.
Não ficou claro se as redes de televisão concederiam tempo de antena à Casa Branca para o discurso de Trump, uma prática normalmente reservada para discursos importantes sobre questões de interesse nacional. Porta-vozes das três principais emissoras — NBC, CBS e ABC —, bem como das redes a cabo CNN e Fox News, não responderam às perguntas sobre se transmitiriam as declarações de Trump ao vivo.
OBSTÁCULOS POLÍTICOS
Desde que reassumiu o cargo em janeiro de 2025, Trump tem buscado ampliar o poder federal sobre a administração das eleições, que, legalmente, é de competência dos governos estaduais, conforme a Constituição dos EUA.
Nos últimos meses, ele também pressionou os republicanos do Senado a aprovar um projeto de lei, o SAVE America Act, que exigiria documento de identidade com foto para votar e comprovante de cidadania norte-americana para se registrar, além de obrigar os Estados a compartilhar informações de registro eleitoral com o governo federal. Democratas e defensores do direito ao voto afirmam que a fraude eleitoral é extremamente rara e argumentam que a legislação suprimiria votos legítimos.
Alguns líderes republicanos instaram Trump a se concentrar em questões que mais importam aos norte-americanos, incluindo o alto custo de vida, em vez de se concentrar na votação de 2020.
“Não sei o que ele vai dizer”, afirmou o líder da maioria no Senado, John Thune, quando questionado na quarta-feira se aconselharia Trump a evitar falar sobre a eleição de 2020. “A única coisa que posso dizer é que estamos focados na eleição de 2026, pelo menos eu estou, e acho que a maioria dos meus pares também.”
Os republicanos enfrentam ventos contrários à medida que as eleições de meio de mandato se aproximam, com o índice de aprovação de Trump em baixa e os eleitores profundamente frustrados com a guerra contra o Irã e os altos preços da energia que ela acarreta.
Os democratas precisam conquistar apenas três cadeiras republicanas para obter a maioria na Câmara dos Deputados dos EUA. No entanto, eles enfrentam uma batalha difícil para conquistar a maioria no Senado, com disputas decisivas ocorrendo em Estados de tendência republicana.
Os democratas estão se preparando para a possibilidade de a Casa Branca tentar manipular as eleições de novembro, disse o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, aos repórteres na quarta-feira.
“Eles sabem que não podem vencer a eleição de forma justa e honesta”, disse ele. “Portanto, não duvidamos que tentem tudo o que puderem.”
(Reportagem de Nandita Bose e David Morgan, em Washington; Reportagem adicional de Erin Banco, Edmund Lee, Ismail Shakil e Doina Chiacu)



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