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Com dois meses de guerra, família libanesa deslocada entra em desespero

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Com dois meses de guerra, família libanesa deslocada entra em desespero
Com dois meses de guerra, família libanesa deslocada entra em desespero

Por Raghed Waked e Zohra Bensemra

BEIRUTE, 28 Abr (Reuters) - Já se passaram quase dois meses, mas Rabih Khreiss ainda tem dificuldade em reconhecer sua nova vida.

O pai de nove filhos tinha conseguido colocar comida na mesa com sua oficina de automóveis no sul do Líbano, mas agora mal consegue sobreviver em uma barraca na capital Beirute.

Como tantas outras pessoas, a família Khreiss fugiu de sua cidade natal de Khiyam, no sul do país, na madrugada de 2 de março, momentos depois de saber que o grupo armado Hezbollah havia disparado contra Israel, o que se tornaria os disparos iniciais de uma nova guerra.

Khreiss, um mecânico de 45 anos, deduziu rapidamente que Israel bombardearia as cidades do sul do Líbano em retaliação e levou sua família às pressas, apenas com a roupa do corpo.

Ele adivinhou corretamente: os ataques começaram em poucos instantes. O que Khreiss não poderia imaginar era que ainda estaria vivendo nas ruas de Beirute quase dois meses depois, enquanto o conflito se arrasta, dependendo de doações.

"Sinto-me como se eu e meus filhos fôssemos prisioneiros em um quarto, condenados à prisão perpétua. Mas quando chegará o socorro para que possamos sair dessa sentença de prisão perpétua? Ninguém sabe", disse Khreiss.

Sua família acorda todos os dias em barracas construídas com vigas de madeira e lonas que chacoalham ameaçadoramente em dias de vento. Sem chuveiros, eles tomam banho em banheiras de plástico e lavam as roupas à mão.

Sua irmã mais velha, que mora com eles, tem câncer, mas sofre para conseguir atendimento médico.

"Estamos vivendo em barracas, sem saber aonde esses dias nos levarão. Começamos a pensar: 'se ao menos acordássemos e ganhássemos na loteria para podermos sair dessa bagunça'", disse Khreiss.

Apesar de um cessar-fogo mediado pelos EUA, Israel continuou a atacar o Líbano e suas tropas estão ocupando uma faixa do sul, destruindo casas que descrevem como infraestrutura do Hezbollah.

Isso inclui demolições controladas quase diárias em Khiyam, agora quase totalmente arrasada e vazia de sua antiga população de cerca de 10.000 pessoas.

O Hezbollah, por sua vez, manteve os ataques contra as tropas israelenses no Líbano e no norte de Israel.

Israel e o Hezbollah acusam um ao outro de violar o cessar-fogo, que foi assinado pelos governos israelense e libanês, mas não especificamente pelo Hezbollah.

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