Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 22 Set (Reuters) - As vendas de café no varejo brasileiro aumentaram 2,29% de janeiro a agosto em relação ao mesmo período do ano passado, para o equivalente a 13,69 milhões de sacas de 60 kg, com uma recuperação do consumo em meio a preços mais baixos em 2026, apontou nesta terça-feira a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic).
O consumo havia despencado 5,4% nos oito primeiros meses de 2025, quando o varejo do Brasil -- segundo consumidor mundial de café, atrás dos EUA -- era afetado por preços altos devido a problemas na oferta global.
O Brasil, maior produtor global, colheu uma safra recorde em 2026, colaborando para aumentar os estoques e pressionar as cotações do produto.
No segundo quadrimestre, as vendas de café no varejo avançaram 4,65% em relação ao mesmo período de 2025, para cerca de 7 milhões de sacas, segundo os dados da Abic.
"O resultado confirma a tendência de alta", afirmou a Abic, em nota.
Com a chegada da safra brasileira, o abastecimento de matéria-prima para indústria, a partir do final de maio de 2026, saiu de "oferta seletiva" para "normalidade" tanto nos grãos arábicas como nos canéfora, disse a Abic.
"Isso conversa diretamente com os preços apresentados e com a evolução do consumo", disse o diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio, ao apresentar os números a jornalistas.
O preço médio do café no varejo diminuiu em todas as categorias/estilos em agosto, em relação ao mesmo mês de 2025.
A maior queda foi para o café Tradicional/Extraforte, que caiu 21,22%, para R$49,50/kg. O café solúvel teve queda de 19,31% na mesma comparação, para R$203,64/kg.
"O cenário aponta para um processo de acomodação dos preços, com uma busca por equilíbrio", disse a Abic.
Na comparação entre julho e agosto de 2026, o mercado mostrou "oscilações menores" de preços na maior parte das categorias, "indicando um cenário de maior estabilidade após as fortes movimentações registradas ao longo de 2025".
(Por Roberto Samora; edição de Letícia Fucuchima)
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