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Controles mais rígidos prejudicam exportações de soja brasileira para China

Controles mais rígidos prejudicam exportações de soja brasileira para China
Controles mais rígidos prejudicam exportações de soja brasileira para China

Por Ella Cao e Naveen Thukral

PEQUIM/CINGAPURA, 13 Mar (Reuters) - Controles fitossanitários mais rigorosos estão atingindo os embarques de soja brasileira para a China, ameaçando reduzir os suprimentos para o maior importador do mundo, depois que as autoridades do país sul-americano intensificaram as inspeções a pedido de Pequim.

O Ministério da Agricultura do Brasil aumentou as inspeções nos embarques de soja para a China depois que Pequim encontrou repetidamente grãos revestidos com pesticidas e fungicidas, disseram quatro fontes comerciais.

"As alfândegas chinesas em várias regiões observaram um aumento de problemas na soja brasileira, incluindo a presença de insetos vivos, grãos revestidos com agentes de tratamento de sementes, como pesticidas ou fungicidas, e danos causados pelo calor", disse um comerciante asiático de uma empresa internacional que vende grãos para a China.

Os importadores agora precisam verificar repetidamente com os fornecedores brasileiros se as remessas estão livres de problemas fitossanitários antes da partida, sob o risco de serem bloqueadas quando chegarem à China, disse um segundo trader asiático.

Controles de qualidade mais rigorosos durante a alta temporada de exportação do Brasil poderiam afetar os suprimentos na China, embora o mercado esteja bem abastecido após as compras recordes do ano passado.

"Se as inspeções forem mais rigorosas e os prazos de liberação aumentarem em ambos os lados, isso poderá diminuir o ritmo de chegada em março e abril", disse Cheang Kang Wei, vice-presidente da StoneX em Cingapura.

Isso pode abrir uma janela de oportunidade para os fornecedores norte-americanos venderem mais para a China, que retomou as compras dos Estados Unidos no final de outubro após um acordo comercial. Pequim não havia comprado nenhuma soja norte-americana da safra de outono no Hemisfério Norte até o final de outubro.

"Há uma janela, em teoria, se os fluxos brasileiros forem interrompidos, mas isso provavelmente estaria relacionado ao tempo e não a uma mudança duradoura, a menos que a diplomacia comercial melhore", disse Cheang.

O presidente da Cargill no Brasil disse à Reuters na quarta-feira que havia interrompido as exportações de soja do Brasil para a China.

A Administração Geral de Alfândega da China e a embaixada do Brasil em Pequim não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

ESPERAS MAIS LONGAS, CUSTOS MAIS ALTOS

O tempo de espera mais longo dos navios para certificação nos portos brasileiros aumentou os custos de demurrage, somando-se à pressão das altas taxas de frete após a guerra do Irã.

A taxa de frete para navios Panamax do Porto de Santos para os principais portos do norte da China aumentou cerca de 24% em março, segundo dados da consultoria Mysteel.

As ofertas de venda de soja brasileira para a China diminuíram devido aos controles fitossanitários mais rigorosos e às tarifas de frete mais altas, disseram os operadores.

A soja brasileira para embarque em abril, incluindo custo e frete, foi cotada em torno de US$1,22 por bushel sobre o contrato de maio da CBOT nesta semana, acima dos US$1,12 oferecidos em 27 de fevereiro.

As importações de soja da China caíram 7,8% nos dois primeiros meses do ano, em parte devido às safras brasileiras mais lentas e ao prolongamento do desembaraço alfandegário.

Na sexta-feira, os preços do farelo de soja na bolsa de Dalian, na China,, subiram para o valor mais alto desde julho de 2024, embora os operadores esperem que o impacto seja temporário e que as condições possam melhorar.

"É improvável que o Brasil permita que o fluxo de exportação para a China sofra um obstáculo neste momento de pico da temporada de embarque", disse o economista-chefe de commodities da StoneX, Arlan Suderman, em uma nota ao cliente.

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