PYONGYANG — O governo da Coreia do Norte negou nesta sexta-feira ter torturado ou maltratado na prisão o estudante americano Otto Warmbier, que morreu após ter sido liberado por Pyongyang em estado de coma. Esta é a primeira reação do país asiático ao anúncio da morte do estudante de 22 anos repatriado no dia 13 de junho em coma e morto na segunda-feira nos Estados Unidos. O porta-voz do ministério norte-coreano das Relações Exteriores acusa Washington de organizar uma campanha difamatória.
"Nossas agências competentes tratam todos os criminosos dentro do respeito das leis nacionais e dos parâmetros internacionais", afirmou um porta-voz do Conselho para a Reconciliação Nacional, segundo a agência norte-coreana KCNA. "(Eles) não têm a mínima ideia de como Warmbier foi bem tratado mas se atrevem a pronunciar as palavras ‘maus-tratos’ e ‘tortura’”.
Condenado em 2016 pela Justiça norte-coreana a 15 anos de trabalhos forçados pelo roubo de um cartaz de propaganda de Pyongyang, Otto Warmbier foi repatriado em 13 de junho com lesões cerebrais decorrente de uma parada cardiorrespiratória, segundo os médicos que trataram dele em Cincinnati. A origem de seu coma profundo continua sendo um mistério.
A morte de Warmbier acirrou as já elevadas tensões entre Washington e Pyongyang, com a corrida armamentista como contexto. O presidente americano Donald Trump chamou o que aconteceu com o estudante de escândalo e denunciou o regime brutal da Coreia da Norte, afirmando estar determinado a impedir que inocentes sofram tragédias como esta. A Coreia do Sul atribuiu a morte de Warmbier ao regime irracional de Pyongyang, que acusa Seul de usar o falecimento do jovem para tentar obter a libertação de seis presos sul-coreanos.
"(Eles) Não têm a mínima ideia de como Warmbier foi bem tratado mas se atrevem a pronunciar as palavras 'maus-tratos' e 'tortura'", disse o porta-voz do Conselho para a Reconciliação Nacional.
Cerca de 2.500 pessoas acompanharam, na quinta-feira, o funeral de Otto Warmbier. A cerimônia aconteceu no colégio onde o estudante cursou o Ensino Médio. Ao som de uma gaita, parentes do jovem carregaram seu caixão até o carro fúnebre, que o levou a um cemitério em sua cidade natal, Cincinnati, Ohio, onde foi enterrado.

