JOHANESBURGO, 21 Abr (Reuters) - Os cortes de verbas dos Estados Unidos para a África do Sul desmantelaram os programas de prevenção do HIV no momento em que eles são necessários para apoiar o lançamento do novo medicamento de prevenção lenacapavir, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira.
A África do Sul tem a maior população do mundo de pessoas infectadas pelo HIV, com cerca de 8 milhões - um em cada cinco adultos - vivendo com o vírus. Os EUA financiaram cerca de 17% do orçamento do país para o HIV até que o presidente Donald Trump cortou a ajuda no ano passado como parte de sua política externa "America First".
O relatório da Physicians for Human Rights, uma ONG sediada nos EUA, disse que Washington efetivamente desperdiçou bilhões de dólares em investimentos ao abandonar a infraestrutura de pesquisa e as plataformas de fornecimento de saúde que havia passado anos construindo na África do Sul.
No curto prazo, isso dificultará o lançamento do lenacapavir, um medicamento injetável semestral de prevenção do HIV que chegou à África do Sul este mês, segundo o relatório.
"Temos um produto que é realmente poderoso, mas não temos mais um programa para encaixá-lo", disse Emily Bass, coautora do relatório.
Os EUA financiaram programas comunitários de extensão e educação de pares sobre diferentes opções de prevenção do HIV, por exemplo, sem os quais eles talvez não soubessem da existência do lenacapavir, disse ela.
O Departamento de Saúde da África do Sul e o Departamento de Estado dos EUA não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.
O impacto dos cortes de verbas é difícil de medir porque as verbas para a coleta de dados também foram cortadas, disse o relatório. No entanto, o relatório documentou a interrupção generalizada dos programas de HIV tanto nas clínicas quanto nas comunidades, com base em entrevistas com dezenas de pessoas envolvidas na resposta ao HIV na África do Sul.
"Sabemos que há muitas comunidades LGBTQI, muitos profissionais do sexo, muitos, muitos jovens que não estão tendo acesso aos serviços por causa disso", disse Yvette Raphael, diretora executiva da Advocates for the Prevention of HIV na África do Sul.
Na semana passada, os números do governo dos EUA sugeriram que a ajuda global ao HIV havia sido mantida apesar dos cortes, mas os dados mostraram declínios nos testes e diagnósticos.
(Reportagem adicional de Nellie Peyton e Jennifer Rigby)



