Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 20 Ago (Reuters) - O déficit no mercado de milho do Brasil deverá saltar para 7,2 milhões de toneladas no ciclo 2026/27, ante 2,7 milhões na temporada anterior, impulsionado principalmente pela maior demanda das usinas de etanol, estimou nesta quinta-feira a consultoria Datagro.
Em uma visão preliminar para o mercado de milho do Brasil em 2026/27, uma vez que o grosso da colheita brasileira do cereal é obtido apenas em 2027, a Datagro manteve sua projeção de produção em 147,5 milhões de toneladas, alta de 1,5% ante temporada anterior, mas revelou uma demanda total crescendo 4,5%, para 154,7 milhões de toneladas.
O crescimento menor da produção no Brasil, terceiro produtor global após Estados Unidos e China, acontece em um momento em que produtores de grãos lidam com margens mais apertadas, enquanto o crédito fica mais escasso e caro, com parte do setor lidando com dificuldades financeiras, incluindo pedidos de recuperação judicial. Há ainda preocupações climáticas relacionadas ao fenômeno El Niño.
Da demanda total em 2026/27, a Datagro projeta que o setor de ração animal vai absorver 64,2 milhões de toneladas, alta anual de quase 4%, enquanto a indústria de etanol vai tomar 32,49 milhões de toneladas, avanço de mais de 14%.
"O déficit é muito puxado pelo incremento das usinas de etanol", disse o analista Gabriel Bastos, durante Abertura de Safra Soja, Milho e Algodão, realizada pela Datagro em Goiás.
Ele destacou que já são 33 usinas de etanol em operação, enquanto esse número deve mais do que dobrar nos próximos seis anos, considerando fábricas em construção e projetos.
As exportações de milho do Brasil, que vêm aparecendo nos últimos anos como segundo exportador mundial, atrás dos Estados Unidos, deverão ficar estáveis em 2026/27, em 45 milhões de toneladas.
No mesmo evento, o head de Grãos da Datagro, Flávio França Júnior, disse que o cenário de mercado pode significar uma melhora para os preços pagos aos produtores.
"Quando fala que tem possível melhora do preço é um alento, também destacando a preocupação com o El Niño... cenário nervoso... pelo menos em termos de preços tem um cenário de preços um pouco melhor", disse ele.
Com o déficit, o Brasil tem consumido estoques nos últimos anos.
Para 2026/27, a Datagro estima estoques finais (em 31 de janeiro) em 8,9 milhões de toneladas, versus 16,1 milhões registrados em 2024/25.
A demanda total prevista pela Datagro considera ainda usos para sementes, consumo humano e industrial.
(Por Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)



Aviso