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De maior comprador a concorrente: China muda cenário de exportação do frango brasileiro

De maior comprador a concorrente: China muda cenário de exportação do frango brasileiro
Produção chinesa subiu - Foto: Pixabay

A China está ampliando a produção de carne de frango e ganhando espaço no mercado internacional, movimento que pode aumentar a concorrência com o Brasil, líder mundial nas exportações da proteína. Apesar do avanço chinês, o país asiático continua entre os principais compradores do produto brasileiro.

No primeiro semestre de 2026, a produção chinesa de frango cresceu mais de 9% em comparação com o mesmo período do ano passado. Com a oferta aumentando acima do consumo interno, o país passou a direcionar mais carne ao mercado externo, incluindo cortes in natura.

O peito de frango se destaca nessa expansão por ter menor procura entre os consumidores chineses. Entre janeiro e maio deste ano, a China exportou 257,1 mil toneladas desse corte, volume 59,6% superior ao registrado nos mesmos meses de 2025.

No total, as exportações chinesas de carne de frango alcançaram 546 mil toneladas nos cinco primeiros meses de 2026, alta de 51% na comparação anual. Mesmo com esse crescimento, o volume ainda está distante do brasileiro: em 2025, o Brasil exportou cerca de 5,3 milhões de toneladas da proteína.

Preferências diferentes mantêm comércio entre os países

As diferenças nos hábitos alimentares ajudam a explicar por que a China continua importando frango brasileiro mesmo com o aumento da produção local. Enquanto os consumidores chineses têm forte preferência por pés e asas, no Brasil há maior procura por peito, coxa e sobrecoxa.

Essa diferença permite que os dois países mantenham relações comerciais, embora a expansão das vendas chinesas possa intensificar a disputa por compradores em regiões como Oriente Médio, Ásia e África.

Em setembro, a China importou 40,9 mil toneladas de frango brasileiro e ficou na terceira posição entre os principais destinos do produto, atrás dos Emirados Árabes Unidos, com 45,9 mil toneladas, e da União Europeia, com 43,5 mil toneladas.

Para representantes do setor brasileiro, o avanço da produção chinesa não significa necessariamente perda de espaço para o Brasil. Ainda assim, o crescimento das exportações asiáticas pode modificar a concorrência internacional nos próximos anos.

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