Por Marcelo Teixeira
NOVA YORK, 20 Out (Reuters) - O déficit no mercado global de açúcar, ou seja, a diferença entre produção e demanda, foi projetado nesta terça-feira para crescer para 6,28 milhões de toneladas, 3 milhões de toneladas a mais do que a estimativa anterior, de acordo com a empresa de análise de mercado Green Pool Commodities.
O analista atribuiu a revisão das perspectivas à baixa produção nas principais regiões produtoras de açúcar, como Brasil, Índia e União Europeia, enquanto a agricultura global enfrenta dificuldades para lidar com os impactos da anomalia climática El Niño.
"A safra do centro-sul do Brasil está ficando muito aquém das previsões iniciais, com chuvas excessivas decorrentes do fenômeno El Niño em andamento (prejudicando a safra)", afirmou o analista do setor açucareiro, com sede na Austrália.
A moagem de cana-de-açúcar no Brasil no final de setembro ficou novamente abaixo dos níveis normais devido às chuvas, informou a empresa, levando a produção acumulada de açúcar do maior exportador mundial a ficar 14% abaixo do mesmo período do ano anterior.
A Green Pool reduziu sua estimativa para a produção de açúcar no centro-sul do Brasil em 600 mil toneladas, para 37,3 milhões de toneladas.
A empresa reduziu sua previsão para a produção de açúcar da União Europeia em 228 mil toneladas, para 12,44 milhões de toneladas, devido ao clima quente e seco do verão europeu.
"É possível que haja uma queda ainda maior", afirmou.
A decisão do governo indiano de iniciar o processamento da nova safra mais cedo para lidar com a baixa oferta local resultará em perda de rendimento, já que a cana ainda não estava no ponto ideal para ser cortada e moída, disse a Green Pool.
A empresa estimou uma perda de produção de 300 mil a 400 mil toneladas como resultado.
"Também levamos em conta o decepcionante último mês da monção, que permaneceu bem abaixo do normal em Maharashtra e Karnataka, a ponto de o abastecimento de água dos reservatórios para uso agrícola provavelmente ser restringido", afirmou.
Os preços do açúcar bruto atingiram a maior cotação em 19 meses na semana passada, a 21,29 centavos por libra-peso, em meio às perspectivas negativas para a produção.
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