O avanço democrata na Casa Alta do Congresso foi impulsionado por resultados surpreendentes em redutos onde a influência de Trump costumava ser soberana. No Texas, o democrata James Talarico derrotou Ken Paxton, atual procurador-geral do estado e apoiado diretamente pelo presidente. A escolha de Paxton no processo de primárias havia sido criticada por lideranças republicanas locais, que alertavam para os riscos de indicar um nome envolto em controvérsias.
Na Carolina do Sul, a democrata Annie Andrews venceu Darline Graham em outra disputa inesperada para preencher a vaga deixada por Lindsey Graham. A candidata republicana, também endossada por Trump, enfrentava restrições internas por falta de experiência política. Em Ohio, o democrata Sherrod Brown desbancou o republicano Jon Husted, consolidando a sequência de reveses para o governo.
O partido ainda assegurou assentos cruciais ao reeleger Jon Ossoff na Geórgia, Chris Pappas em New Hampshire e manter vitórias expressivas com nomes consolidados como Cory Booker (Nova Jersey), Ed Markey (Massachusetts), John Hickenlooper (Colorado) e Juliana Stratton, que assumirá a vaga de Dick Durbin.
Reação da Casa Branca: promessa de cooperação e ameaça de vetos
Após a confirmação da mudança de comando no Legislativo, Donald Trump buscou adotar um tom pragmático em entrevista ao The New York Times , afirmando estar disposto a aceitar o resultado das urnas e dialogar com os adversários.
"Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados. Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a algum entendimento" , disse o presidente, amenizando declarações anteriores em que colocava sob suspeita a lisura do pleito.
Apesar do tom conciliador na entrevista, a postura em relação às futuras propostas legislativas da nova maioria deve ser rígida. Logo após a divulgação dos primeiros balanços, Trump publicou a imagem de um boné com a palavra "veto" e relembrou declarações recentes feitas ao podcast Pod Force One .
"Acho que vou me tornar o 'Sr. Veto'. Eles vão enviar algumas coisas. Você veta. E, eventualmente, depois de um ou dois meses sendo vetados, eles percebem que estão perdendo tempo, vêm até nós e fazemos um acordo" , declarou o republicano.
Como funcionam as midterms nos EUA
Ao contrário do sistema eleitoral brasileiro, o Congresso norte-americano passa por renovações a cada dois anos. Quando esses pleitos coincidem com a metade do mandato do chefe do Executivo, recebem o nome de midterms .
Câmara dos Representantes: Todos os 435 deputados possuem mandatos de dois anos e têm suas vagas disputadas integralmente a cada eleição.
Senado: Os senadores cumprem mandatos de seis anos. Por isso, a renovação da Casa de 100 assentos ocorre de forma alternada, com cerca de um terço da composição (35 cadeiras neste pleito) indo às urnas a cada dois anos.
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