7 Ago (Reuters) - O desmatamento na Amazônia brasileira caiu 36,9% nos 12 meses até julho de 2026 em comparação com o mesmo período anterior, somando 2.874,38 km² desmatados, o menor número da série histórica do sistema Deter, que começou em 2016, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo governo federal.
Os números fazem parte do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora o desflorestamento por satélite e serve como indicador de alerta para ações de fiscalização.
No Cerrado, o segundo maior bioma do país, a área desmatada no período somou 5.119,46 km², uma queda de 7,8% em relação aos 12 meses anteriores e o menor em cinco anos, também de acordo com o Deter.
O Inpe divulgou também os dados do Prodes para todo o país entre 2024 e 2025 - o sistema de satélite mais preciso que é usado para dados anuais de desmatamento -, incluindo os biomas caatinga, pampa e mata atlântica. Somando aos dados de Amazônia, Cerrado e Pantanal, divulgados em novembro do ano passado, o desmatamento em todo o país caiu 20% nesse período.
"Se continuarmos no ritmo que estamos, poderemos atingir a meta de desmatamento zero", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi ao Inpe, em São José dos Campos, para a apresentação dos números.
Ao comemorar os números, Lula disse que foi ao Inpe para fazer dos dados apresentados pelo instituto a "bandeira de defesa" contra as tarifas dos Estados Unidos contra o Brasil.
Uma das alegações para a imposição da tarifa de 25% contra os produtos brasileiros, na investigação sobre a Seção 301, era de que o governo não controlava o desmatamento. Nos ciclos desde agosto de 2022 houve uma queda, somada, de mais de 30% na retirada de vegetação na Amazônia.
Ao mencionar os Estados Unidos, Lula colocou a culpa das recentes ações do governo norte-americano contra o Brasil em Marco Rubio, secretário de Estado do país.
"Agora, ele (Trump) tem um cidadão que não gosta do Brasil, que não gosta da América Latina e que é um bolsonarista, que é o secretário de Estado, o Marco Rubio. Ele não gosta, eu disse para o Trump, ele não gosta do Brasil", disse Lula, chamando o secretário norte-americano de "latino-americano frustrado" e que não cumpre o combinado com Trump.
O governo brasileiro aponta para o Departamento de Estado um apoio à família Bolsonaro, e possíveis tentativas de influenciar a eleição brasileira.
(Reportagem de Lisandra Paraguassu, em BrasíliaEdição de Pedro Fonseca e Alexandre Caverni)




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