Por Nivedita Balu
TORONTO, 14 Set (Reuters) - O cineasta Alex Gibney realizou seu documentário de longa duração “Musk”, sobre a vasta influência do bilionário Elon Musk, com o objetivo de estimular discussões sobre a recuperação do poder das mãos dos “oligarcas da tecnologia”, afirmou ele em uma entrevista no domingo.
O documentarista vencedor do Oscar está no Festival Internacional de Cinema de Toronto para a estreia americana do documentário. Gibney começou a filmar antes do segundo mandato do presidente dos EUA, Donald Trump, e ampliou o escopo do projeto depois que Musk se tornou um assessor próximo de Trump. O filme tinha inicialmente duas horas de duração, mas foi estendido para quase quatro horas depois que Musk apoiou Trump, disse o cineasta.
“Espero que seja o início de uma discussão para todos nós, não apenas para os cidadãos dos Estados Unidos, mas para os cidadãos do mundo, a fim de começarmos a recuperar o poder desses oligarcas da tecnologia que parecem desejosos de governar o mundo para si mesmos”, declarou Gibney.
O documentário traça a trajetória de Musk desde a era das pontocom, sua compra de um McLaren de US$1 milhão, sua ascensão como presidente-executivo da Tesla, da SpaceX e do Twitter, o que o tornou a pessoa mais rica do mundo. O documentário também traz entrevistas com seu pai, Errol Musk; Martin Eberhard, ex-presidente-executivo da Tesla; e Ashley St. Clair, ex-parceira de Musk e mãe de um de seus muitos filhos.
“Este é, na verdade, um filme sobre como o poder absoluto corrompe. Ou talvez sobre como o poder revela o caráter de uma pessoa. Há uma questão sobre se Musk sempre seguiria nessa direção ou se foi o poder que o corrompeu”, disse Gibney.
Musk criticou Gibney em sua rede social X, chamando “Musk” de “filme falso” e ameaçando processar o cineasta. Gibney disse que a equipe verificou rigorosamente os fatos e passou por uma rigorosa análise jurídica.
Musk, contatado por meio da SpaceX, não respondeu a um pedido de comentário.
VILÕES TECH
Gibney, cujos temas anteriores incluíram o colapso da empresa de energia Enron e a Cientologia, disse que os CEOs do setor de tecnologia estão se tornando vilões em uma “presidência do tipo ‘pague para jogar’”, desconsiderando regulamentações federais e acumulando influência que diminui o papel do controle democrático.
O desafio do filme foi mostrar a amplitude do poder de Musk no governo e a falta de prestação de contas e de rumo desse poder, disse Gibney. “Para mim, isso foi o mais preocupante.”
Musk não respondeu ao pedido de Gibney para uma entrevista para o filme, segundo o cineasta. Em vez disso, o filme apresenta uma entrevista simulada com Musk, vestido com uma jaqueta de couro, cabelo penteado para trás e sentado em uma poltrona de couro em uma sala futurista com iluminação vermelha e azul. O roteiro do personagem simulado é baseado em um banco de dados de declarações e comentários feitos por Musk em público.
O filme estreou no Festival de Cinema de Veneza.




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