Por Crispian Balmer
VENEZA, 11 Set (Reuters) - Repressão, conflitos e agitação política inspiraram o drama iraniano “A Bit of Light”, afirmaram seus criadores na sexta-feira no Festival de Cinema de Veneza, ao descreverem uma sociedade cada vez mais entorpecida pelas repetidas tragédias.
O filme do diretor Ali Asgari acompanha um médico que planeja tirar a própria vida após ser preso e impedido de exercer a medicina, mas acaba redescobrindo motivos para continuar vivendo durante um último dia que passa visitando sua família.
“O que mais pesa é a sensação de impotência, de não poder fazer nada, de não poder mudar nada”, disse o ator principal, Misagh Zareh, aos repórteres, falando por meio de um intérprete.
“Mesmo por uma pequena postagem no Instagram contra a pena de morte, no dia seguinte me intimaram a comparecer ao tribunal.”
O diretor, cujos filmes anteriores foram exibidos em Veneza, Cannes e Berlim, disse que o título reflete a crença de que a sobrevivência no Irã contemporâneo não depende de grandes esperanças, mas de pequenos atos de resistência que ajudam as pessoas a seguir em frente.
“Não temos forças para iluminar nosso caminho com uma luz muito forte”, afirmou ele. “Precisamos de pequenas coisas em nossas vidas para seguir em frente, e essas pequenas coisas são iluminadas uma a uma.”
Asgari mora no Irã e continua a filmar lá, embora tenha sido temporariamente proibido de fazer filmes após a estreia de "Crônicas do Irã” em Cannes, em 2023. “A Bit of Light” foi filmado em Teerã e na Turquia, com parte do elenco morando no exterior.
O roteirista Shadmehr Rastin disse que os acontecimentos do último ano, incluindo uma sangrenta repressão iraniana aos manifestantes e duas guerras contra as forças israelenses e norte-americanas, deixaram muitas pessoas emocionalmente exaustas.
“Estamos anestesiados”, declarou ele. “É como se não sentíssemos mais nada. A dor é enorme, o desespero também.”
“A Bit of Light” é um dos 21 filmes concorrentes ao prêmio Leão de Ouro de Veneza, que será entregue no sábado.



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