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Documentário "Rehearsals for a Revolution" em Cannes adota perspectiva pessoal para traçar história do Irã

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Documentário "Rehearsals for a Revolution" em Cannes adota perspectiva pessoal para traçar história do Irã
Documentário "Rehearsals for a Revolution" em Cannes adota perspectiva pessoal para traçar história do Irã

Por Miranda Murray

CANNES, FRANÇA, 20 Mai (Reuters) - Para a cineasta iraniana Pegah Ahangarani, fazer seu documentário "Rehearsals for a Revolution" (Ensaios para uma Revolução), que mescla sua história pessoal com a de seu país desde a revolução iraniana de 1979, foi mais como uma terapia do que uma produção cinematográfica convencional.

"Eu queria dizer tudo o que estava na minha mente -- fossem coisas da minha vida pessoal ou relacionadas à história iraniana -- e não estava pensando no que viria depois", disse ela à Reuters no Festival de Cannes, onde o filme é exibido fora de competição.

"Talvez se eu tivesse pensado nisso antes, teria sido um pouco assustador."

No filme, Ahangarani parte de suas histórias pessoais e de sua família para ilustrar pontos-chave da história moderna do Irã em cinco episódios, utilizando animação, cinejornais antigos, arquivos familiares e gravações em fita.

O filme começa com o pai dela, que lutou na guerra Irã-Iraque na década de 1980, e com um amigo dele executado como prisioneiro político após a revolução, e termina com os anos recentes dela no exílio e a repressão mortal contra os manifestantes em janeiro.

Os espectadores acompanham Ahangarani e sua câmera escondida pelas ruas após a eleição presidencial de 2009 e ouvem gravações feitas por seu tio Rashid antes de tirar a própria vida após a invasão na universidade em julho de 1999.

CONSCIENTIZAÇÃO

Ahangarani descreveu a produção cinematográfica como a única maneira de chamar a atenção para o que está acontecendo no Irã, especialmente porque os extensos bloqueios da internet desde o início de 2026 cortaram a comunicação para muitos cidadãos.

"A única coisa que realmente posso fazer, embora não seja muito, é refletir sobre o que está acontecendo lá e não deixar que isso passe despercebido", disse ela, acrescentando que seu objetivo é garantir que o público internacional esteja ciente da situação.

Segundo Ahangarani, seus pais estão fora do Irã antes do início da guerra, mas seu contato com muitos de seus amigos, principalmente da comunidade cinematográfica, foi praticamente cortado.

"Muitos deles provavelmente nem sabem que estou em um festival agora e que meu filme está aqui", disse Ahangarani, que se aventurou na produção de documentários nos últimos anos, após uma longa carreira como atriz.

Ahangarani equilibra os temas mais sombrios do filme com momentos de leveza.

"Se você continuar mostrando escuridão após escuridão, a escuridão se torna entediante e perde o impacto", disse.

Essa descontração, acrescentou ela, reflete a resiliência dos iranianos.

"Mesmo nos momentos mais sombrios, quando não há absolutamente nada de bom em suas vidas, ainda existe algo dentro deles", disse ela.

(Reportagem de Miranda Murray)

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