Mais de mil páginas de diários, e-mails e anotações do imunologista Anthony Fauci, ex-diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA, foram divulgadas pelo senador republicano Rand Paul. Os documentos mostram que Fauci já debatia a possibilidade de um acidente de laboratório em Wuhan como origem da covid-19 em janeiro de 2020, mas orientava sua equipe a evitar dar destaque a informações que, em sua avaliação, poderiam prejudicar a campanha de vacinação e o combate à pandemia.
De acordo com os arquivos, em uma teleconferência com pesquisadores, os cientistas estavam divididos entre a tese de transmissão natural e a de vazamento em laboratório. Alguns especialistas apontavam que as mutações do vírus não poderiam ter ocorrido naturalmente, levantando a possibilidade de inserção acidental ou deliberada. Fauci sugeriu reunir um grupo maior de biólogos para analisar o caso, mas enfrentou resistência de autoridades que temiam que a Organização Mundial da Saúde informasse a China e inviabilizasse a investigação.
Apesar de ter conhecimento privado dessas dúvidas, Fauci adotou um posicionamento público que enfatizava a probabilidade de uma origem natural. Em uma reunião de 2021 com o Conselho de Segurança Nacional, ele rejeitou as conclusões do FBI, que apontavam para um vazamento, e se alinhou com a Agência de Segurança Nacional, favorável à hipótese de salto natural.
Os documentos também revelam que Fauci pressionou o CDC para recuar de uma declaração sobre a perda de eficácia das vacinas, argumentando que a informação entraria em conflito com os esforços de incentivo à vacinação e poderia prejudicar os mandatos judiciais.
Diante do avanço das investigações no Congresso, Fauci recorreu ao direito ao silêncio durante seu depoimento ao Senado em 29 de julho, invocando a quinta emenda da constituição americana.




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