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Doença de Newcastle não deve ter grande impacto para avicultura do Brasil, dizem analistas

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Doença de Newcastle não deve ter grande impacto para avicultura do Brasil, dizem analistas
Doença de Newcastle não deve ter grande impacto para avicultura do Brasil, dizem analistas

Por Gabriel Araujo

SÃO PAULO, 20 Out (Reuters) - Um foco da Doença de Newcastle no Brasil provavelmente não causará danos duradouros ao setor avícola do país se as autoridades conseguirem contê-lo rapidamente, afirmaram analistas, embora a incerteza em relação às restrições comerciais, especialmente por parte da China, continue sendo um risco importante para os exportadores.

O Brasil, maior exportador mundial de carne de frango, confirmou na segunda-feira um caso da doença em uma granja comercial em Santa Catarina, o que levou à adoção de medidas de contenção e gerou preocupações quanto aos fluxos comerciais de aves.

O México, sétimo maior comprador de aves do Brasil no ano passado, suspendeu rapidamente as importações, enquanto a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que o Brasil imporia um autoembargo às remessas para a China, enquanto se aguarda uma decisão das autoridades chinesas sobre se as restrições se aplicariam a todo o país ou apenas à área afetada.

As ações da MBRF, uma das principais processadoras de aves, caíram mais de 4% na segunda-feira, enquanto as da JBS, empresa do mesmo setor listada nos Estados Unidos, recuaram 1%.

O Brasil registrou o último foco de Doença de Newcastle em julho de 2024, no Rio Grande do Sul, vizinho a Santa Catarina.

As exportações de frango caíram cerca de 25%, ou 100 mil toneladas métricas, durante o mês afetado pelas restrições naquele ano, segundo estimativas de analistas do JPMorgan, mas se recuperaram rapidamente com a reabertura dos mercados, sem causar impacto significativo nos lucros da MBRF e da JBS.

A China foi a origem mais significativa de interrupção comercial, pois manteve um embargo ao Estado até janeiro de 2026, observaram eles. Mas outros destinos importantes, como México, União Europeia, Arábia Saudita e Japão, ou flexibilizaram as restrições rapidamente ou implementaram uma resposta localizada.

"Desta vez, a menos que haja um evento generalizado (o que é incomum para essa doença), acreditamos que o impacto possa ser ainda menor, já que vários países alteraram seu protocolo de restrições para um raio de ação", afirmou o JPMorgan.

Analistas do Santander também apontaram a China -- que atualmente responde por cerca de 10% das exportações brasileiras de frango -- como a principal incerteza, acrescentando que a MBRF está mais exposta a possíveis interrupções do que a JBS, com maior diversificação geográfica.

Eles estimaram que as restrições comerciais poderiam afetar cerca de 15% da produção brasileira de frango sob os protocolos de exportação atuais.

Restrições prolongadas poderiam forçar os exportadores a redirecionar as remessas para mercados alternativos ou para o mercado interno, o que poderia pesar sobre os preços e as margens, afirmou o Santander.

"Em suma, estamos monitorando o alcance e a duração das restrições comerciais. A falta de visibilidade sobre a duração da suspensão chinesa é o principal risco", acrescentaram.

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