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Dólar fecha em baixa em dia de "casadão" do BC no câmbio

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Dólar fecha em baixa em dia de "casadão" do BC no câmbio
Dólar fecha em baixa em dia de "casadão" do BC no câmbio

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 22 Jun (Reuters) - O dólar fechou a segunda-feira em baixa ante o real, em sessão que contou com duas operações cambiais simultâneas do Banco Central, enquanto no exterior a moeda norte-americana sustentou ganhos ante boa parte das demais divisas.

O dólar à vista fechou o dia com queda de 0,45%, aos R$5,1413. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 6,33% ante o real.

Às 17h12, o dólar futuro para julho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 0,15% na B3, aos R$5,1565.

Os EUA e o Irã concordaram, conforme os mediadores Catar e Paquistão, com um roteiro para um acordo final que ponha fim ao conflito em até 60 dias. Ainda assim, investidores se mostravam preocupados com as ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, de retomada da guerra e com o anúncio de que Teerã havia fechado novamente o Estreito de Ormuz.

No fim da tarde, com o mercado à vista já fechado, Trump afirmou que o Estreito de Ormuz está totalmente aberto.

Neste cenário, o dólar sustentou ganhos ante divisas fortes como o euro e o iene, mas recuou ante a libra. Em relação aos países emergentes, o dólar caiu ante o peso colombiano e o real -- neste caso, após os fortes avanços da semana passada --, mas a moeda dos EUA se manteve em alta ante boa parte das demais divisas.

No Brasil, destaque para os dois leilões simultâneos realizados pelo Banco Central no início da sessão, em que foram vendidos US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$1 bilhão de swap cambial reverso -- uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro.

As duas operações simultâneas são conhecidas como "casadão" pelos investidores e visam oferecer liquidez ao mercado. O efeito delas sobre as cotações do dólar é, em tese, nulo, já que o BC vendeu US$1 bilhão em uma ponta e comprou US$1 bilhão em outra.

“Nossos modelos de previsão econométrica para o câmbio capturaram a mudança no humor em relação aos ativos brasileiros, com o BRL (real) sendo visto no patamar R$5,16, entre R$5,06 e R$5,25 (por dólar)”, afirmou Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, em relatório publicado pela manhã. “O casadão de hoje deve aliviar um pouco a pressão, mas o ambiente segue adverso para o risco Brasil”, acrescentou.

Também em relatório, o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, afirmou que “o dólar está em tendência de alta de médio prazo, fato que dificulta recuo para perto de R$5,00”.

No fim da manhã, o BC fez uma terceira operação, na qual vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de julho.

No fim de semana, uma nova pesquisa Datafolha apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida para o Planalto, com 47% das intenções de voto no segundo turno, contra 43%. O resultado indicou estabilidade em relação à pesquisa anterior, publicada há um mês.

Os brancos e nulos somaram 8%, enquanto 1% não sabe em quem votar. A margem de erro máxima prevista é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.

Às 17h11, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,15%, a 100,990.

(Edição de Isabel Versiani)

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