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Dólar fecha no menor nível em um mês sob influência da inflação dos EUA

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Dólar fecha no menor nível em um mês sob influência da inflação dos EUA
Dólar fecha no menor nível em um mês sob influência da inflação dos EUA

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 14 Jul (Reuters) - O dólar fechou a terça-feira em queda no Brasil e novamente abaixo dos R$5,10, na esteira do recuo da moeda norte-americana também no exterior, após dados de inflação dos Estados Unidos em junho ficarem abaixo do esperado.

O dólar à vista encerrou a sessão com queda de 1,12%, aos R$5,0739. Essa é a menor cotação de fechamento desde 15 de junho, quando o dólar atingiu R$5,0666. No ano, a moeda norte-americana passou a acumular baixa de 7,56% ante o real.

Às 17h04, o dólar futuro para agosto -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 1,15% na B3, aos R$5,1000.

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos recuou 0,4% em junho, conforme o Departamento do Trabalho, mais que a projeção de queda de 0,1% dos economistas consultados em pesquisa da Reuters. Nos 12 meses até junho, o CPI subiu 3,5%, menos que os 3,8% projetados.

O núcleo de inflação, que exclui componentes voláteis como alimentos e energia, ficou estável em junho e subiu 2,6% na base anual -- menos que os 2,9% anteriores.

O CPI foi bem recebido pelos investidores, que reduziram as apostas de que o Federal Reserve subirá sua taxa de referência, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, no fim deste mês. Em reação, o dólar cedeu ante as demais divisas globais, incluindo o real.

“O resultado reduz a expectativa de que o Federal Reserve precise elevar os juros no curto prazo. Com uma inflação mais comportada, diminui também a perspectiva de maiores retornos dos títulos do Tesouro americano, o que tende a enfraquecer o dólar frente às demais moedas”, avaliou Lucca Bezzon, analista de Inteligência de Mercado da Stonex.

Após marcar a cotação máxima de R$5,1288 (-0,05%) às 9h08, pouco depois da abertura, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,0653 (-1,29%) às 12h08, sob influência do CPI, para depois encerrar na faixa dos R$5,07.

“Mas não vejo fatores para o dólar se manter abaixo de R$5,10. O próprio (boletim) Focus continua projetando um dólar a R$5,20 no fim do ano, e o Focus costuma ser otimista”, opinou Matheus Massote, especialista em câmbio da One Investimentos.

Na segunda-feira, o boletim Focus do Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim de 2026 está em R$5,20 e no final de 2027 em R$5,28.

No exterior, além do CPI, os investidores seguiram monitorando o conflito entre EUA e Irã e a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz.

O presidente dos EUA, Donald Trump, recuou em relação à proposta de cobrar uma taxa de trânsito dos navios de 20% para proteger a hidrovia, afirmando que, em vez disso, buscaria acordos de investimento com os países do Golfo Pérsico. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a possível cobrança dos EUA como “pirataria”.

Às 17h12, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,35%, a 100,920.

No fim da manhã, sem efeitos sobre as cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de agosto.

(Edição de Pedro Fonseca e Isabel Versiani)

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