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Em 4 décadas, Estado do Texas, nos EUA, executou 600 pessoas

Estadão

O Texas, nos Estados Unidos, executou na quinta-feira, 14, um homem condenado por assassinato. Ao todo nas últimas quatro décadas, o Estado americano executou 600 pessoas. Edward Busby Junior foi condenado à pena de morte pelo homicídio da professora Laura Lee Crane, de 77 anos. Ela trabalhou na Universidade Cristã do Texas, mas, na época do crime, já estava aposentada.

Os promotores afirmaram que Busby e sua cúmplice, Kathleen Latimer, sequestraram Laura em seu carro em um estacionamento de supermercado em Fort Worth e depois a colocaram no porta-malas do veículo enquanto circulavam pela região, em janeiro de 2004. Segundo os promotores, ela morreu no porta-malas após sufocar.

Depois do crime, Busby foi preso em Oklahoma City, com o carro de Laura. Ele levou as autoridades até o local onde o corpo dela estava no Estado de Oklahoma, ao norte da fronteira com o Texas.

Alegação de deficiência intelectual

Kathleen está presa e cumpre pena de prisão perpétua por assassinato. Tanto um especialista contratado pela defesa quanto outro contratado pelo gabinete do promotor distrital do Condado de Tarrant, responsável pela acusação, concluíram que Busby tinha deficiência intelectual.

A Suprema Corte dos EUA proibiu, em 2002, a execução de pessoas com deficiência intelectual, mas concedeu aos Estados certa autonomia para definir como essas condições são avaliadas.

O gabinete do promotor já havia recomendado que a sentença de Busby fosse reduzida para prisão perpétua. No entanto, o juiz do caso discordou das conclusões sobre deficiência intelectual e, em 2023, manteve a pena de morte.

Na semana passada, a Corte de Apelações do 5º Circuito dos EUA emitiu uma suspensão da execução para revisar mais profundamente as alegações de deficiência intelectual.

Contudo, a Suprema Corte derrubou a suspensão na quinta-feira, a pedido do gabinete do procurador-geral do Texas. O órgão argumentou que recursos semelhantes já haviam sido rejeitados anteriormente e eram "sem mérito" e baseados em "evidências conflitantes".

Os advogados de Busby rapidamente solicitaram outra suspensão, mas ela foi negada por um tribunal inferior. Em comunicado divulgado na quarta-feira, 13, o gabinete do promotor afirmou ter solicitado a data da execução de quinta-feira porque acreditava que, segundo a legislação atual, Busby não tinha deficiência intelectual. Outras duas datas de execução de Busby já haviam sido adiadas pelos tribunais.

Execução de número 600 no Texas

Busby foi declarado morto às 20h11 após receber uma injeção letal na penitenciária estadual de Huntsville.

Questionado pelo diretor da prisão se tinha uma declaração final, Busby pediu desculpas repetidamente e pediu perdão. "Lamento muito pelo que aconteceu", afirmou.

Ele disse que gostaria de "poder voltar atrás em tudo" e acrescentou que "não tinha o direito de entrar naquele carro". "Assumirei a culpa se isso ajudar", afirmou.

O homem disse ainda ter entregado sua vida a Deus e pediu a uma irmã, que rezava e observava por uma janela a pouca distância dali, que encontrasse uma igreja e "carregasse sua cruz". "Estou aqui porque esta é a vontade de Deus", disse Busby.

A execução foi a de número 600 no Texas desde que o Estado retomou a aplicação da pena de morte em 1982. Busby também foi a quarta pessoa executada neste ano no Texas e a 12ª em todo o país. Mais cedo, na quinta-feira, Oklahoma executou Raymond Johnson por matar a ex-namorada e a filha dela, de 7 meses, há quase 20 anos.

O autor e historiador Bryan Mark Rigg representou a família de Laura como testemunha na execução e afirmou que eles "nem apoiam nem se opõem à pena de morte". "No entanto, estão unidos em seu respeito pelo Estado de Direito", acrescentou.

Rigg disse que, na infância, foi aluno de Laura e que, durante décadas, a professora ajudou crianças a superar dificuldades de aprendizagem. Para ele, ela "foi descartada em um campo como um pedaço de lixo" e a execução não se tratava de vingança, mas de "responsabilização perante a lei e de lembrar a vida de uma educadora extraordinária".

*Com informações da Associated Press.

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