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Em Buenos Aires, argentinos defendem jogadores em relação à faixa sobre as Malvinas

Reuters

NOVA YORK/BUENOS AIRES, 16 de julho (Reuters) - Moradores de Buenos Aires manifestaram apoio nesta quinta-feira aos jogadores argentinos que exibiram uma faixa reivindicando a soberania sobre as Ilhas Malvinas após a vitória nas semifinais da Copa do Mundo contra a Inglaterra, enquanto o Reino Unido insta a Fifa a investigar o incidente.

Alguns jogadores exibiram uma faixa com os dizeres “As Malvinas são argentinas” após a vitória por 2 x 1 sobre a Inglaterra, em Atlanta.

Uma foto da Reuters mostrou a faixa branca, que parecia ter sido feita à mão, inicialmente agitada por torcedores que comemoravam na primeira fileira do estádio. De acordo com o jornal argentino Clarín, o meio-campista Giovani Lo Celso se aproximou dos torcedores e pediu para pegá-la emprestada.

Fotos posteriores o mostram segurando a faixa junto com o zagueiro Lisandro Martínez, enquanto os jogadores cantavam e comemoravam, de frente para a torcida. Mais tarde, a faixa pode ser vista caída na grama.

O Código de Conduta nos Estádios da Fifa proíbe “bandeiras, faixas, panfletos, roupas e outros acessórios de natureza política, ofensiva e/ou discriminatória” dentro dos estádios.

Até esta quinta-feira, a entidade não havia aplicado nenhuma sanção divulgada ao público e se recusou a comentar quando contatada pela Reuters. Ações semelhantes realizadas por jogadores no passado resultaram em multas ou suspensões de partidas.

O ministro de Negócios do Reino Unido, Peter Kyle, afirmou à rádio BBC nesta quinta-feira que o incidente tem que ser formalmente investigado, enfatizando que a política precisa ser mantida separada da Copa do Mundo.

O líder do Partido Liberal Democrata, Ed Davey, em uma carta aberta ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que o ato “insultou diretamente o povo das ilhas” e pediu que os jogadores fossem suspensos da final de domingo.

A questão da soberania sobre o território ultramarino britânico no Atlântico Sul, conhecido pelos britânicos como Falklands e pelos argentinos como Malvinas, tem sido um ponto delicado de longa data nas relações entre os dois países.

Eles travaram uma breve guerra pelas ilhas em 1982, na qual morreram 649 soldados argentinos e 255 combatentes britânicos.

Perto de um monumento aos mortos da Argentina na guerra, no centro de Buenos Aires, moradores com quem a Reuters conversou demonstraram apoio às ações da equipe.

“Para mim, é muito importante que os jogadores, como figuras públicas, expressem sua opinião, especialmente sobre questões tão delicadas para nós”, disse Martín Aguirre, de 30 anos.

“É por isso que realmente valorizamos os gestos de Licha (Martínez) e Giovani Lo Celso, porque, mesmo sabendo que poderiam enfrentar uma punição ou algum tipo de problema por causa disso, eles ainda hastearam aquela bandeira.”

Federico Schenone, de 52 anos, disse que não se tratou de um gesto político, mas de uma “questão de história e legitimidade”.

Embora não tenha mencionado diretamente a faixa, o craque Lionel Messi afirmou após a partida: “Quando você joga uma partida dessa magnitude, muitas coisas entram em jogo. A história pesa em um jogo como esse.”

(Reportagem de Paul Childs e Nick Mulvenney, em Atlanta, e de Candelaria Grimberg e Horacio Soria, em Buenos Aires)

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