Mansour Abbas, líder do partido árabe Raam, tem buscado se posicionar como um parceiro "aceitável" na política israelense: condenou o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, evita centrar seus discursos na guerra em Gaza ou na ocupação da Cisjordânia e prioriza temas locais, como o combate ao crime em comunidades árabes. Em 2021, ele rompeu um tabu ao levar um partido árabe a integrar uma coalizão de governo em Israel, atuando como aliado disciplinado. Agora, o segundo nome de sua lista é um candidato judeu de perfil mais popular.
Ainda assim, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e seus principais rivais afirmaram que não formarão governo com Abbas nem com outros partidos liderados por árabes após a eleição de 27 de outubro de 2026 - mesmo que isso implique meses de paralisia e possivelmente uma nova rodada eleitoral.
A situação ilustra o momento vivido pela minoria árabe-palestina de Israel, que representa cerca de 20% da população: três anos após o 7 de outubro, seu espaço político e de expressão, segundo ativistas e grupos de direitos, tornou-se mais restrito. A fala pública é fortemente policiada, líderes foram rotulados como traidores e, em determinado momento, partidos chegaram a ser proibidos, embora uma decisão judicial tenha revertido a medida. Apesar disso, em uma disputa apertada, os partidos árabes podem ter um papel potencialmente decisivo na escolha do próximo primeiro-ministro, devido à lógica de coalizões do sistema parlamentar israelense.
Yousef Jabareen, líder da Joint List (uma aliança de partidos árabes que adota linha menos conciliadora do que a de Abbas), descreveu a eleição como "existencial" e disse que a força eleitoral árabe deve ser usada para impedir uma deterioração ainda maior da situação. Ele participou de um pequeno evento de campanha em Tel-Aviv e deixou o local discretamente para evitar um grupo de manifestantes de extrema-direita.
Palestinos que permaneceram dentro das fronteiras de Israel após a guerra de 1948 e seus descendentes têm cidadania e direito a voto, mas laços familiares e solidariedade com palestinos de Gaza e da Cisjordânia alimentam desconfiança de parte da população judaica. Além de discriminação, essas comunidades enfrentam altas taxas de criminalidade. Ativistas árabes atribuem o problema à negligência policial, que, por sua vez, aponta falta de cooperação de lideranças comunitárias.
A taxa de homicídios entre cidadãos palestinos de Israel é mais de 22 vezes maior do que entre judeus israelenses, enquanto taxas de prisão e de denúncia formal são muito menores. A organização Abraham Initiatives, que defende igualdade de direitos, contabilizou 184 mortes ligadas a crime em comunidades árabes em 2026 até aqui e afirmou em julho que apenas 12% dos casos reportados no primeiro semestre haviam sido solucionados. Paralelamente, ativistas dizem que autoridades restringiram de forma agressiva a liberdade de expressão, dissolvendo protestos contra a guerra, limitando exibição de bandeiras palestinas e prendendo centenas de pessoas por publicações em redes sociais, conforme a ONG israelense Adalah.
O governo israelense, por outro lado, sustenta que Israel é um Estado judeu no qual minorias têm direitos iguais e que parte das restrições a manifestações e falas decorre de preocupações de segurança.
Complicações eleitorais
Do ponto de vista eleitoral, como nenhum partido deve se aproximar de 61 das 120 cadeiras do Knesset, formar maioria no parlamento exige coalizões, o que pode dar a partidos pequenos como os árabes um peso desproporcional. Na prática, porém, Netanyahu se recusa a trabalhar com eles e os próprios partidos árabes também descartam integrar um governo liderado por ele. O principal adversário de Netanyahu, o centrista e general da reserva Gadi Eisenkot, também diz que não fará aliança com partidos árabes.
E mesmo Yair Lapid, que liderou um governo de centro-esquerda em 2021, afirmou à AP em maio que não pretende formar outra coalizão com o Raam. Diante dessas recusas, restariam opções como mudanças de posição, um governo minoritário apoiado "por fora" por partidos árabes, ou - se a aritmética parlamentar travar - a possibilidade de nova eleição, mantendo o governo atual como interino. Fonte: Associated Press .
Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado
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