Por Gabriel Araujo
SÃO PAULO, 9 Mar (Reuters) - A fabricante brasileira de aviões Embraer poderá lançar jatos regionais E175-E1 de uma possível linha de produção na Índia já em 2028, mas o plano depende de encomendas de pelo menos 200 aeronaves, disse o presidente-executivo, Francisco Gomes Neto, à Reuters.
No início deste ano, a Embraer e o grupo indiano Adani anunciaram um memorando de entendimento para estabelecer uma linha de montagem final para os jatos de primeira geração da empresa brasileira na Índia.
O governo indiano tem incentivado fabricantes de aeronaves a produzirem jatos localmente. Enquanto isso, a Embraer produz jatos comerciais apenas no Brasil.
"É claro que a gente não vai 'startar' nenhum investimento relevante se não tiver pedido. O que nós estamos dizendo é assim: para fazer uma linha de montagem, nós precisamos de pelo menos 200 aviões para fazer lá", disse Gomes Neto.
Caso as encomendas sejam garantidas até o final de 2026, a empresa poderá começar a entregar as aeronaves em 2028, acrescentou ele.
"São mais ou menos 24 meses que a gente acha que consegue fazer isso começar a acontecer. Isso está claro, eles sabem disso, está claro para nós", disse o executivo.
Gomes Neto afirmou que a Embraer identificou pelo menos 1.800 rotas na Índia que poderiam ser operadas por E1s – jatos com capacidade para até 88 passageiros, essenciais para a aviação regional dos EUA, mas que têm apresentado baixa demanda em outros lugares nos últimos anos.
O executivo observou que uma fábrica na Índia ajudaria a Embraer a impulsionar a produção, ao mesmo tempo que abasteceria sua linha híbrida de aeronaves no Brasil - que produz tanto E1s quanto E2s - com encomendas da nova família E2, que tem apresentado forte demanda global.
A Embraer, que inicialmente tinha como meta atingir a marca de 100 entregas de aeronaves comerciais em um único ano, em 2028, agora vê possibilidade de alcançar esse marco em 2027, afirmou o presidente.
ARÁBIA SAUDITA E O C-390
Além de aeronaves comerciais, a Embraer também fez parceria com a indiana Mahindra para o cargueiro militar C-390, classificando o país como um "mercado estratégico" para sua unidade de defesa.
Arábia Saudita, União Europeia e Estados Unidos também receberam esse título em 2024, mas Gomes Neto disse que as perspectivas de um pedido do país do Oriente Médio diminuíram.
"Continua sendo uma frente de negócios, mas não está no 'hotspot' agora para nós", disse ele, acrescentando que a Embraer está se concentrando na Índia e nos EUA.
A Embraer esperava substituir a frota obsoleta de C-130 da Lockheed Martin da Arábia Saudita. Em 2023, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou o país, foi assinado um acordo com a SAMI, que contava com o apoio do fundo soberano saudita PIF, para explorar uma possível linha de montagem do C-390 no país.
"A gente tem um bom produto lá, mas eu acho que eles tinham a visão de ter um avião maior. Está no nosso mapa, mas já não está no hotspot."

