Por Fernando Kallas
DALLAS, Texas, 13 de julho (Reuters) - A França pode ter um quarteto de ataque temível e poder de fogo suficiente para tirar o sono dos zagueiros, mas o plano da Espanha para a semifinal da Copa do Mundo é mais territorial: manter a posse de bola, ditar o ritmo e fazer com que o perigo venha do outro lado.
O ponta Álex Baena disse que a Espanha obviamente respeita uma das seleções mais potentes do torneio, liderada por uma linha ofensiva formada por Kylian Mbappé, Michael Olise, Ousmane Dembélé e Désiré Doué ou Bradley Barcola. Mas o espanhol insistiu que eles não passarão o confronto desta terça-feira simplesmente esperando a tempestade chegar.
“Os quatro atacantes estão fazendo um ótimo torneio e teremos que ficar de olho neles. Mas vamos tentar fazer com que eles fiquem nos olhando mais do que nós a eles”, disse Baena aos repórteres nesta segunda-feira.
“Nosso ponto forte é ter a bola, manter muita posse para atacar e garantir que eles nos ataquem o mínimo possível. Espero que amanhã (terça-feira) seja assim também.”
Essa frase resumiu perfeitamente a abordagem da Espanha nas vitórias pelas semifinais da Eurocopa e da Liga das Nações contra a equipe de Didier Deschamps.
Baena afirmou que a posse de bola seria novamente a principal forma de defesa da Espanha e seu caminho mais claro para ter controle, mas alertou que a história não faria nenhum desarme por eles.
"É verdade que viemos de duas partidas em que os vencemos, e isso nos favoreceu, mas cada partida é um mundo à parte", disse. "Eles estão fazendo um torneio espetacular."
CRONOGRAMA DE VIAGENS
O pano de fundo da confiança tática da Espanha é um cronograma de viagens que a fez percorrer uma distância consideravelmente maior do que a França antes da semifinal.
A Espanha optou por ficar em Chattanooga, no Tennessee, durante a fase de grupos — onde não foram disputadas partidas da Copa do Mundo — e teve que viajar por três fusos horários diferentes para seus jogos. A França manteve sua base em Boston durante todo o torneio e disputará sua primeira partida fora do fuso horário da Costa Leste. Viajou cerca de 16.000 quilômetros a menos que seus adversários.
No entanto, o lateral Pedro Porro minimizou as preocupações com o cansaço.
“Você vê isso de fora, mas no nosso dia a dia viajamos para cima e para baixo e nem percebemos os quilômetros que percorremos”, disse Porro. “Conseguimos nos recuperar para esta partida.”
Baena falou mais abertamente sobre o desgaste.
“É verdade que estamos um pouco cansados de tantas viagens”, disse. “Viajamos muito mais e percorremos mais quilômetros do que eles e, no fim das contas, quando nos aproximamos do fim, nós percebemos um pouco disso."
“Mas acho que estamos todos bem, com muita empolgação e muita vontade. É o respeito por uma das melhores equipes do torneio e do mundo”, afirmou. “Esperamos que seja uma partida muito, muito equilibrada e que seja decidida por pequenos detalhes.”
(Reportagem de Fernando Kallas)



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