Por Fernando Kallas
13 Jun (Reuters) - A Espanha chega a Atlanta com a confiança de uma equipe que espera uma longa campanha na Copa do Mundo, mas na segunda-feira enfrenta adversários que carregam um sentimento igualmente poderoso: a incredulidade vertiginosa de uma nação que vê seu nome no quadro do torneio pela primeira vez.
Os campeões europeus estreiam contra Cabo Verde no Grupo H, que também conta com Uruguai e Arábia Saudita, num confronto que, na teoria, parece um encontro de planetas futebolísticos diferentes.
A seleção de Luis de la Fuente tornou-se praticamente imbatível nos últimos quatro anos, acumulando 30 jogos invictos desde a derrota por 1 a 0 para a Colômbia em um amistoso em Wembley, em março de 2024. Desde então, a Espanha conquistou 23 vitórias e sete empates, apresentando um futebol dos mais empolgantes e ofensivos dos últimos tempos.
A única falha nessa trajetória aparentemente impecável foi a derrota por 5 a 4 nos pênaltis para Portugal na final da Liga das Nações em 2025, após um empate em 2 a 2 na prorrogação, em uma partida na qual a Espanha esteve duas vezes em vantagem, mas não conseguiu manter o título conquistado em 2023.
Cabo Verde, porém, não está na América do Norte apenas para figuração. Os Tubarões Azuis foram uma das surpresas na classificação para a Copa do Mundo de 2026 e o país, com menos de 600.000 habitantes, é o terceiro menos populoso a chegar ao torneio, depois da Islândia, em 2018 e de Curaçao, também em 2026.
A ascensão da seleção foi construída a partir de uma mistura de jogadores locais e da diáspora. Essa combinação provou ser altamente eficaz nas eliminatórias, onde Cabo Verde venceu sete dos seus 10 jogos, perdeu apenas um e conquistou uma impressionante vitória em casa sobre Camarões.
A classificação para a Copa do Mundo pode parecer um conto de fadas, mas Cabo Verde vem construindo sua credibilidade há anos. Em 2013, a seleção se classificou para sua primeira Copa Africana de Nações e chegou às quartas de final logo na primeira tentativa.
A Espanha, por sua vez, pode adotar uma abordagem cautelosa com Lamine Yamal e Nico Williams, que estão na fase final de recuperação de lesões musculares sofridas em abril. Ambos voltaram a treinar com seus companheiros de equipe na quinta-feira, mas De la Fuente pode decidir que a paciência é mais sensata do que o risco.
Para a Espanha, o objetivo é o segundo título mundial, após o triunfo de 2010 na África do Sul. Para Cabo Verde, esta segunda-feira oferece algo ainda mais raro: a primeira página de uma história que seus torcedores esperam há gerações.
(Reportagem de Fernando Kallas em Nova York)



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