A espanhola Noelia Castillo, de 25 anos, morreu nesta quinta-feira (26) após passar por um procedimento de eutanásia legalmente autorizado, informou o jornal El País . O caso mobilizou tribunais espanhóis por cerca de 601 dias e envolveu disputas familiares sobre a capacidade da jovem de decidir sobre sua própria morte.
Noelia vivia com paraplegia e dor crônica desde 2022, após uma queda de grande altura, apresentando sofrimento físico e psicológico grave. Médicos especialistas e uma comissão independente avaliaram seu quadro clínico e concluíram que ela atendia aos critérios previstos na lei espanhola de 2021 para a eutanásia, que considera condições crônicas incapacitantes e sofrimento intolerável.
A autorização enfrentou resistência familiar. O pai de Noelia recorreu à Justiça argumentando que ela não teria condições psicológicas de optar pelo procedimento, levando o caso a diferentes instâncias judiciais, incluindo cortes superiores e tribunais europeus. Apesar das contestações, as decisões mantiveram a legalidade do pedido.
Além da condição física, o histórico de sofrimento psicológico da jovem foi considerado durante a análise. Antes da lesão que a deixou paraplégica, Noelia havia passado por episódios de violência e acompanhamentos em serviços de saúde mental. Após o acidente, as dores persistentes e limitações funcionais agravaram significativamente sua qualidade de vida, elementos levados em conta no processo de avaliação.
Na Espanha, a eutanásia é legal desde 2021 e exige diagnóstico de doença grave ou condição crônica incapacitante, pedido voluntário e reiterado do paciente, avaliação por profissionais de saúde e validação por uma comissão independente. No Brasil, o procedimento é proibido, embora a ortotanásia — suspensão de tratamentos que apenas prolongam a vida — seja permitida, geralmente no contexto de cuidados paliativos.


