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Etanol hidratado tem queda de 2% na usina de SP enquanto comprador aguarda nova safra, diz Cepea

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Etanol hidratado tem queda de 2% na usina de SP enquanto comprador aguarda nova safra, diz Cepea
Etanol hidratado tem queda de 2% na usina de SP enquanto comprador aguarda nova safra, diz Cepea

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 6 Abr (Reuters) - Os preços do etanol hidratado nas usinas do Estado de São Paulo, maior produtor e consumidor do Brasil, tiveram queda de 2,1% na semana passada, para uma média de R$2,8875/litro, à medida que compradores estão cautelosos nas aquisições do biocombustível diante da expectativa do aumento na oferta na safra 2026/27 recém-iniciada, avaliou nesta segunda-feira uma pesquisadora do Cepea.

A ampliação da oferta deverá ocorrer pela maior destinação de cana-de-açúcar para a produção de etanol, considerando que o preço do biocombustível está mais interessante do que o do açúcar. Além disso, a expansão da produção de etanol de milho é outro fator sendo considerado.

"Essa questão da expectativa, se vai ter mais oferta, isso acaba mudando muito no ritmo do comprador. Eles vêm sim em compasso de espera, estão esticando a corda no máximo que eles podem", afirmou Ivelise Rasera Bragato Calcidoni, pesquisadora da equipe de etanol do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

O levantamento do Cepea considera o preço na usina, excluindo-se aí tributos e as adições de valores ao longo da cadeia.

A queda de preço do combustível na usina ocorre em um momento peculiar, em que as cotações do petróleo dispararam por conta da guerra dos EUA e Israel contra o Irã, enquanto a Petrobras não repassou os valores para a sua gasolina, que responde por boa parte do mercado nacional.

O etanol hidratado concorre com a gasolina nas bombas, e consumidores geralmente observam a relação de preços para definir qual combustível é mais vantajoso.

A pesquisadora ressaltou também o forte crescimento da produção de etanol de milho no Brasil, que já está em torno de 20% da fabricação total do biocombustível no país, como fator dos preços mais enfraquecidos.

"O que muda a dinâmica é se chove muito, aí a usina não consegue produzir etanol (no início da safra). Mas agora tem a oferta que não vem da cana, tem o etanol que vem do milho, com oferta contínua ao longo do tempo", comentou a especialista.

Apesar da recente queda do preço na usina, no acumulado do ciclo 2025/26 (abril a março) os valores médios do hidratado e do etanol anidro negociados no Estado de São Paulo ficaram acima dos da temporada anterior.

Em março, o indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado registrou média de R$2,9288/litro, recuo de 1,49% frente a fevereiro. Para o etanol anidro (usado na mistura da gasolina), a média foi de R$3,2834/litro, queda de 3,66% no mesmo comparativo.

No acumulado da safra 2025/26, contudo, o etanol hidratado teve média de R$2,7805/litro, alta de 6,52% frente à da temporada anterior, em termos reais (os dados foram deflacionados pelo IGP-M de março). O anidro teve média de R$3,1291/litro, com avanço de 6,21% na mesma comparação, de acordo com avaliação do Cepea.

(Por Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)

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