Por Parisa Hafezi e Jacob Bogage
DUBAI/DORAL, EUA, 4 Mai (Reuters) - As Forças Armadas dos EUA informaram que dois destróieres com mísseis guiados da Marinha dos EUA entraram no Golfo para romper um bloqueio iraniano e que dois navios norte-americanos transitaram pelo Estreito de Ormuz, após o Irã afirmar ter impedido a entrada de um navio de guerra dos EUA no Golfo.
O Comando Central dos EUA (Centcom) declarou que suas forças estavam apoiando o "Projeto Liberdade" do presidente Donald Trump, que visa "guiar para fora" navios mercantes retidos no Golfo devido à guerra de EUA e Israel contra o Irã, e que estavam reforçando o bloqueio aos portos iranianos.
A intervenção pareceu aumentar o risco de um confronto direto entre os EUA e o Irã em uma hidrovia por onde normalmente passa um quinto do petróleo e gás transportados por via marítima no mundo, mas que está bloqueada há dois meses em decorrência da guerra.
O Centcom afirmou que dois navios mercantes com bandeira norte-americana cruzaram o estreito enquanto os destróieres operavam no Golfo, acrescentando: "As forças norte-americanas estão auxiliando ativamente os esforços para restabelecer o trânsito para a navegação comercial".
Mais cedo, o Irã disse ter forçado um navio de guerra norte-americano a retornar do Estreito de Ormuz, embora o Comando Central dos EUA tenha negado prontamente a informação de um ataque com míssil divulgada pela agência de notícias semioficial iraniana Fars.
Uma autoridade graduada iraniana disse à Reuters que o Irã disparou um tiro de advertência e que não estava claro se o navio de guerra havia sido danificado.
Os preços do petróleo subiram 5% após relatos de que o navio de guerra havia sido impedido de prosseguir, mas posteriormente recuaram pela metade.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, declarou à Fox News que os EUA detêm o controle absoluto do estreito.
No entanto, o setor naval ainda não está convencido de que a vital rota petrolífera, cujo fechamento prejudicou os negócios e o comércio no mundo, seja segura para uso, com poucos indícios de progresso rumo a uma resolução negociada do conflito entre Washington e o Irã.
A Marinha iraniana afirmou ter impedido a entrada de navios de guerra "americanos-sionistas" na área do estreito, emitindo um "aviso rápido e decisivo".
Trump deu poucos detalhes sobre seu plano para auxiliar os navios e suas tripulações que estão confinados no Golfo e com poucos suprimentos de alimentos e outros itens.
"Dissemos a esses países que guiaremos seus navios com segurança para fora dessas vias navegáveis restritas, para que possam continuar seus negócios livremente e sem problemas", disse Trump em uma publicação em seu site Truth Social no domingo.
ALERTA IRANIANO
Em resposta, o comando unificado do Irã afirmou aos navios comerciais e petroleiros que se abstivessem de qualquer movimento que não fosse coordenado com os militares do Irã.
"Temos afirmado repetidamente que a segurança do Estreito de Ormuz está em nossas mãos e que a passagem segura dos navios precisa ser coordenada com as Forças Armadas", declarou Ali Abdollahi, chefe do comando unificado das forças, em comunicado.
"Alertamos que quaisquer Forças Armadas estrangeiras, especialmente o agressivo Exército dos EUA, serão atacadas se tiverem a intenção de se aproximar e entrar no Estreito de Ormuz."
Desde o início da guerra, o Irã bloqueou quase todos os navios que entram e saem do Golfo, exceto os seus próprios, cortando cerca de um quinto das remessas de petróleo e gás do mundo e fazendo com que os preços do petróleo subissem 50% ou mais.
O Comando Central dos EUA disse que apoiaria o esforço de resgate com 15.000 militares e mais de 100 aeronaves, além de navios de guerra e drones.
"Nosso apoio a essa missão defensiva é essencial para a segurança regional e a economia global, enquanto também mantemos o bloqueio naval", afirmou o almirante Brad Cooper, comandante do Centcom, em um comunicado.



