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EUA e Irã anunciam acordo para encerrar guerra no Oriente Médio

Estadão

EUA e Irã chegaram neste domingo, 14, a um acordo de cessar-fogo, segundo o presidente americano, Donald Trump, e o premiê do Paquistão, Shehbaz Sharif, um dos mediadores. A trégua abre caminho para novas negociações que podem, em última instância, encerrar definitivamente a guerra que já dura três meses e meio, matou milhares de pessoas e abalou a economia global.

"O acordo com o Irã foi concluído. Parabéns a todos!", escreveu Trump, nas redes sociais. O regime iraniano não se pronunciou oficialmente, mas confirmou que o general Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador iraniano, e o chanceler Abbas Araghchi viajarão para Genebra para assinar o acordo. A TV estatal Irib adotou um tom triunfal. "Os EUA foram forçados a aceitar o fim da guerra", declarou a voz oficial de Teerã.

Sharif, peça fundamental nas negociações, confirmou nas redes sociais que uma "cerimônia oficial de assinatura ocorrerá na sexta-feira (dia 19), na Suíça". Ele não disse se o acordo havia sido assinado eletronicamente, como esperado.

Segundo Trump, o acordo reabre o Estreito de Ormuz sem pedágios a partir de sexta-feira. O presidente disse ainda ter autorizado "a suspensão imediata do bloqueio naval dos EUA" aos portos iranianos. "Navios do mundo, liguem seus motores", escreveu. "Deixem o petróleo fluir!"

O texto completo do acordo não foi divulgado, mas a publicação de Trump estava alinhada com o que autoridades americanas e iranianas haviam declarado anteriormente. Os termos incluem um cessar-fogo de 60 dias, que seriam seguidos de novas negociações para um tratado definitivo.

Após o anúncio, ambos os lados procuraram apresentar o acerto como uma vitória diplomática. Algumas das questões mais espinhosas, no entanto, incluindo o destino do programa nuclear iraniano e o alívio das sanções americanas, permanecem sem solução e foram adiadas para serem debatidas durante a nova rodada de negociações.

Em risco

A assinatura - que Trump havia prometido para domingo, dia do seu aniversário de 80 anos - pareceu estar em risco no início do dia. Israel, que está extremamente descontente com os termos negociados, bombardeou os subúrbios de Beirute, matando três pessoas.

Os ataques foram em retaliação a disparos de foguetes e drones do Hezbollah, grupo militante libanês apoiado pelo Irã. Os ataques irritaram Trump. Ele disse que o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, não demonstrou "nenhum bom senso" ao ordenar a operação. "Estamos muito perto de um acordo que trará paz à região, incluindo ao Líbano, e todos os lados devem recuar", escreveu Trump nas redes sociais.

O fogo cruzado ameaçou o acordo. Algumas figuras centrais do regime iraniano prometeram uma resposta e disseram que os EUA eram responsáveis pelo fracasso da diplomacia, caso não conseguissem conter Israel. No entanto, uma série de negociações de última hora, lideradas pelo Catar, amenizou as tensões, e o acordo final foi fechado no início da madrugada em Teerã.

Obstáculos

A questão mais complicada, o futuro do programa nuclear iraniano, ainda parece sem solução, uma vez nenhum dos lados demonstrou disposição para ceder. Negociadores haviam afirmado que americanos e iranianos realizariam negociações detalhadas sobre o tema e sobre a suspensão das sanções americanas contra o Irã nos próximos 60 dias.

O Líbano é outro obstáculo. O Irã exige que qualquer acordo de paz definitivo obrigue Israel a encerrar seus ataques contra o Hezbollah, que já mataram mais de 3,5 mil pessoas, e querem que as forças armadas israelenses se retirem do território libanês ocupado.

Israel, que não esteve diretamente envolvido nas negociações entre EUA e Irã, afirmou que continuaria a atacar o Líbano se o Hezbollah atingisse seu território.

No domingo, segundo reportagem do Channel 12 , de Israel, assessores de Netanyahu ficaram atônitos com as críticas de Trump. Analistas citados pela emissora americana Fox News temem que o premiê israelense sabote o acordo entre EUA e Irã ao continuar atacando o Líbano. (Com agências internacionais).

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