Por Juliette Jabkhiro e Bart H. Meijer e Friederike Heine
PARIS/AMSTERDÃ/BERLIM, 26 Jun (Reuters) - As autoridades de saúde em toda a Europa estavam em alerta máximo nesta sexta-feira, à medida que uma onda de calor mortal avançava pelo continente, levando à proibição do consumo de álcool na França e causando rachaduras no asfalto das estradas na Alemanha.
Do Reino Unido e França à Alemanha, Itália, Áustria e Sérvia, a Europa fervia sob uma onda de calor recorde que se espalhava pela região. Cientistas afirmaram que a onda de calor foi a pior já registrada na Europa, onde o clima está mudando mais rapidamente do que em qualquer outro lugar.
As temperaturas provavelmente já haviam passado do pico na França e no Reino Unido, onde recordes para o mês de junho foram quebrados. Mas na Itália, esperava-se que o calor se intensificasse no fim de semana, trazendo as primeiras marcas do verão de 40 graus Celsius.
Pelo menos 55 mortes relacionadas à onda de calor foram registradas na França, onde as temperaturas em Paris atingiram 40,9 °C na quarta-feira. Embora se esperasse que as temperaturas diminuíssem, as autoridades se preparavam para mais vítimas.
Em todo o continente, marcos culturais foram fechados, e a agricultura foi afetada. A polícia de Paris solicitou aos organizadores de grandes eventos, incluindo o festival de música Solidays, que os cancelassem. Os organizadores do festival Pride afirmaram que iriam remarcar o evento.
O calor extremo fez com que a superfície da rodovia A2, no leste da Alemanha, se deformasse e se rompesse em várias faixas na noite de quinta-feira, segundo o jornal BZ, danificando até 30 veículos, causando ferimentos leves em duas pessoas e forçando o fechamento da rodovia.
O Met Office britânico estendeu o alerta vermelho de calor até sexta-feira para uma grande área do sul da Inglaterra; é a primeira vez que tais alertas são emitidos por três dias consecutivos.
Um raro alerta de “código vermelho” por calor extremo foi emitido para quase toda a Holanda, e muitas escolas foram fechadas, já que eram esperadas temperaturas de até 40°C.
Na Sérvia, as autoridades emitiram um alerta âmbar, com previsão de temperaturas em torno de 36°C. Autoridades em Belgrado alertaram a população para se hidratar e permanecer em ambientes fechados durante as horas mais quentes.
Os ventiladores esgotaram nas lojas do Reino Unido, e fabricantes asiáticos de aparelhos de ar-condicionado relataram um boom nas vendas na Europa. Na França, a estatal de energia EDF se comprometeu a investir 80 milhões de euros (US$90 milhões) em sistemas de refrigeração para escolas, creches e centros de cuidados infantis.
De acordo com os dados mais recentes da Agência Internacional de Energia (AIE), afiliada à OCDE, divulgados em julho de 2025, a posse de aparelhos de ar-condicionado em residências na Europa permanece relativamente baixa, em torno de 20%.
(Reportagem de Juliette Jabkhiro, Inti Landauro, Sudip Kar-Gupta, Makini Brice, Nicolas Delame, Friederike Heine, Giselda Vagnoni e Bart Meijer)



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