Por Leon Kigozi e Elias Biryabarema
FORT PORTAL, Uganda, 29 Set (Reuters) - Um ex-apresentador de noticiário de TV foi coroado rei do Reino de Tooro, em Uganda, na terça-feira, tornando-se o 13º monarca do povo Batooro em uma cerimônia de coroação repleta de rituais que pôs fim a uma disputa pela sucessão.
Edward Rukidi Kijanangoma sucedeu ao rei Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV, cuja morte no mês passado, vítima de câncer aos 34 anos, desencadeou uma disputa, com sua mãe alegando que um filho até então não revelado tinha direito ao trono.
Uganda é uma república constitucional governada por um presidente eleito, mas quatro reinos pré-coloniais permanecem como símbolos influentes de identidade e patrimônio, apesar de não terem nenhum poder político.
Um comitê de 21 membros do clã real Babiito escolheu Kijanangoma, de 56 anos, que é primo de Oyo Nyimba.
Uma fonte a par da disputa pela sucessão disse à Reuters que o governo central de Uganda impôs essa decisão apesar das objeções da mãe.
Kijanangoma assumiu o novo nome real Edward Rukidi Nyabongo I em uma cerimônia tradicional que incluiu o abate de um touro e a aspersão de sangue de galinha na capital de Tooro, Fort Portal.
Nyabongo I caminhou até o Palácio de Karuziika entre meia-noite e as 3h da manhã, antes de participar de uma batalha simulada pela coroa.
“Temos a grande tarefa de proteger nossa cultura, nossas tradições e costumes, bem como a boa conduta entre nosso povo”, disse Nyabongo I em seu discurso de posse, comprometendo-se a mobilizar seus súditos para proteger o meio ambiente.
REI CRIANÇA
Oyo Nyimba morreu nos Estados Unidos em 27 de agosto, enquanto recebia tratamento para um angiossarcoma, um tipo agressivo de câncer.
Ele chamou a atenção do mundo em 1995, quando foi entronizado aos 3 anos de idade após a morte de seu pai. As imagens do rei criança com vestes reais e uma coroa causaram fascínio generalizado.
Ex-colegas de Nyabongo I na emissora estatal UBC, onde ele trabalhava como âncora de notícias e editor, o descrevem como humilde e simples.
“Todos em Fort Portal estão felizes por causa deste novo rei. Estamos nos preparando. As mulheres estão passando suas masukas. Os homens estão passando seus kanzus”, disse Elizabeth Kengonze, moradora de Tooro, na véspera do evento, referindo-se às roupas tradicionais.
A coroação ocorreu apesar das objeções da mãe de Oyo Nyimba, Best Kemigisa, e de sua irmã, a princesa Ruth Komuntale. Elas afirmam que o falecido rei deixou um filho pequeno e um testamento que o nomeava como herdeiro.
Oyo Nyimba não era casado e não se sabia publicamente que tivesse filhos. O primeiro-ministro do reino mencionou pela primeira vez a existência de uma criança em um comunicado anunciando sua morte.
Kamurasi disse que o clã não tinha conhecimento de nenhuma criança e seguiu os costumes de Tooro na escolha de um sucessor.
“A criança que eles alegam existir não é conhecida”, declarou ele à imprensa na semana passada.
(Reportagem de Leon Kigozi em Fort Portal e Elias Biryabarema em Kampala)
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