Por Jarrett Renshaw
9 Mar (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve analisar nesta segunda-feira um conjunto de opções para controlar os preços do petróleo, que subiram para mais de US$100 por barril devido à guerra com o Irã, de acordo com duas pessoas familiarizadas com o assunto.
O esforço reflete as preocupações da Casa Branca de que o aumento dos preços do petróleo prejudicará as empresas e os consumidores dos EUA antes das eleições de meio de mandato de novembro, quando os pares republicanos de Trump esperam manter o controle do Congresso.
Autoridades em Washington têm discutido com seus pares do G7 uma possível liberação conjunta de petróleo bruto das reservas estratégicas como uma das várias medidas atualmente em discussão, disseram as fontes.
Outras opções incluem a restrição das exportações dos EUA, a intervenção nos mercados futuros de petróleo, a isenção de alguns impostos federais e a suspensão das exigências da Lei Jones, que determina que o combustível doméstico seja transportado somente em navios com bandeira dos EUA, entre outras, disseram as fontes, falando sob condição de anonimato.
As autoridades do governo também estão exercendo pressão diplomática sobre os aliados do Golfo para ajudar a restaurar a produção e o transporte de petróleo, disse uma terceira fonte à Reuters.
A Casa Branca acrescentou uma coletiva de imprensa de Trump às 18h30 (horário de Brasília) à sua agenda nesta segunda-feira, mas não forneceu detalhes sobre se ele fará algum anúncio.
Os analistas disseram que as opções políticas dos EUA terão pouca influência sobre os mercados globais de petróleo enquanto os combates bloquearem as exportações de petróleo do Oriente Médio, que representam um quinto do fornecimento global através do Estreito de Ormuz.
"A Casa Branca está em constante coordenação com as agências relevantes sobre essa importante questão, pois ela é uma prioridade máxima para o presidente. O presidente Trump e toda a sua equipe de energia tinham um forte plano para manter os mercados de energia estáveis bem antes do início da operação Fúria Épica, e eles continuarão a analisar todas as opções confiáveis", disse o porta-voz da Casa Branca Taylor Rogers, em um comunicado, usando o nome do governo Trump para as operações militares EUA-Israel visando o Irã.
Em uma publicação em sua plataforma de mídia social Truth Social no domingo, Trump minimizou o aumento de preços, dizendo que o aumento será temporário e "é um preço muito pequeno a ser pago pelos EUA".
Ele acrescentou que somente um "tolo" veria isso de forma diferente.
Os preços globais do petróleo bruto atingiram níveis não vistos desde meados de 2022, chegando brevemente a US$119 por barril, com os custos da gasolina e de outros combustíveis aumentando como resultado desde que os ataques dos EUA e de Israel começaram em 28 de fevereiro.
Na semana passada, a Casa Branca pediu às agências federais que elaborassem propostas que pudessem ajudar a aliviar a pressão sobre os preços do petróleo e da gasolina, informou a Reuters anteriormente. As deliberações envolvem as principais autoridades da Casa Branca, incluindo a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, e o principal conselheiro, Stephen Miller, disseram as fontes.
Analistas e autoridades do setor disseram que a Casa Branca tem poucas ferramentas significativas para conter rapidamente o aumento dos preços do petróleo, a menos que as autoridades possam restaurar o fluxo de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, a estreita via navegável entre o Irã e Omã por onde passa cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo.
"O problema é que as opções variam de marginais e simbólicas a profundamente insensatas", disse uma das fontes, que está envolvida com a Casa Branca no esforço.
A turbulência nos mercados de energia ocorre em um momento delicado para o presidente, que tem procurado manter os preços dos combustíveis baixos como um dos pilares de sua mensagem econômica aos eleitores. Um aumento prolongado nos custos do petróleo e da gasolina poderia repercutir em toda a economia, elevando os preços do transporte e ao consumidor.
Até o momento, um plano da Casa Branca para fornecer escoltas navais e seguro de apoio para navios-tanque que viajam pelo Estreito de Ormuz não conseguiu aumentar significativamente o tráfego de navios pela hidrovia vital.

