SÃO PAULO, 9 Out (Reuters) - A exportação de café verde do Brasil aumentou 3,2% em setembro na comparação com o mesmo período do ano anterior, para 3,58 milhões de sacas de 60 kg, com embarques menores de grãos arábica limitando o crescimento, afirmou o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) nesta sexta-feira.
Os embarques totais foram impulsionados pelo café canéfora (robusta e conilon), que tiveram aumento de 65,1% para 813,9 mil sacas. Já os grãos arábica tiveram queda de 7,1% na exportação, para 2,766 milhões de sacas.
"Além do cenário mercadológico, o fato de termos uma safra de arábica mais prejudicada em qualidade resulta em menores preços para esses cafés afetados, principalmente pela chuva", disse o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira.
Embora o Brasil tenha colhido uma safra recorde em 2026, segundo estimativas oficiais e de analistas, a qualidade da safra de arábica ficou aquém do desejável, por conta de chuvas durante o período de colheita.
Somando o café industrializado, especialmente o solúvel, as exportações totais atingiram 3,89 milhões de sacas, avanço de 3,1%, apontou o Cecafé.
O presidente do Cecafé citou ainda que o crescimento nas exportações em setembro reflete a retomada das remessas aos Estados Unidos após o término das incertezas com a exclusão das tarifas impostas sobre os cafés do Brasil em julho passado.
"Em novembro de 2025, os EUA retiraram a taxação sobre a maior parte do produto brasileiro, mas, até julho deste ano, o café solúvel seguia tarifado", lembrou Ferreira.
Com o fim das tarifas, os EUA voltaram a ser o maior importador de café brasileiro.
Em setembro deste ano, os EUA importaram 625.192 sacas de todos os tipos de café do Brasil, o que implica um incremento de 86,4% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Com a retomada das importações em agosto e setembro, os EUA ultrapassaram a Alemanha e retomaram a liderança entre os principais destinos das exportações no acumulado dos nove primeiros meses deste ano, detalhou o conselho.
Os norte-americanos adquiriram 3,805 milhões de sacas no período, volume ainda 12,8% inferior ao aferido no mesmo intervalo em 2025.
(Por Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)
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