SÃO PAULO, 11 Jun (Reuters) - As exportações brasileiras de café verde somaram 2,73 milhões de sacas de 60 kg em maio, alta de 4,2% na comparação com o mesmo mês de 2025, impulsionadas por avanço expressivo dos embarques de canéforas, enquanto as vendas de grãos arábica recuaram antes de a colheita da nova safra ganhar ritmo, informou nesta quinta-feira o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Foi a primeira alta mensal em relação ao mesmo mês do ano anterior desde novembro de 2024, ano que o Brasil fechou com exportações recordes, o que reduziu os estoques desde então, segundo dados do Cecafé.
Os embarques de café canéfora (robusta e conilon) atingiram 601.756 sacas no mês passado, um salto de 193% ante o mesmo mês do ano passado, enquanto os embarques de arábica recuaram 11,9%, para 2,13 milhões de sacas.
O desempenho está dentro do previsto diante do cenário atual de mercado, com a transição da entressafra para a chegada da nova colheita, que começa a ganhar velocidade, disse o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira.
"A leve alta em maio reflete a entrada de cafés colhidos já neste ano, principalmente os canéforas, que são nossos conilon e robusta, movimento que deveremos observar com os arábicas a partir dos próximos meses também", disse Ferreira, em nota.
Para os próximos meses, com a expectativa de colheita recorde no Brasil, ele acredita que o país deve elevar os níveis de café a serem remetidos ao exterior.
"O clima foi favorável na maior parte do cinturão cafeeiro e isso possibilitou uma safra com excelente qualidade, produtividade elevada e, consequentemente, bom volume. Em condições normais de temperatura e pressão, passaremos a observar crescimento dos embarques, principalmente no segundo semestre", projetou o presidente do Cecafé.
Considerando todas as formas de café, incluindo industrializados, as exportações totais do país somaram 3,09 milhões de sacas em maio, aumento de 3,6% na comparação anual. A receita cambial, no entanto, caiu 16%, para US$1,05 bilhão, pressionada pela queda de 18,9% no preço médio, para US$340,06 por saca.
No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, o Brasil exportou 14,745 milhões de sacas de café, declínio de 12,4% na comparação entre janeiro e maio do ano passado. As divisas com as exportações somaram US$5,552 bilhões no período, recuo de 14,6% na mesma comparação.
A queda no acumulado do ano é reflexo de uma safra menor e de exportações volumosas em períodos anteriores, explicou Ferreira.
(Por Roberto Samora e André Romani; edição de Marta Nogueira)



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