MOSCOU, 11 Ago (Reuters) - As exportações russas de trigo em agosto podem cair para o nível mais baixo em quase uma década, afirmaram analistas agrícolas nesta terça-feira, enquanto o maior exportador mundial de trigo enfrenta preços baixos e riscos à segurança nas importantes rotas marítimas do Mar Negro.
A Rússia e a Ucrânia têm atacado cada vez mais navios e portos durante a guerra que já dura quatro anos e meio, mas ambos os países estão colhendo safras abundantes que podem aumentar a oferta global, que já é ampla.
A consultoria agrícola Sovecon afirmou que as exportações de trigo podem cair para cerca de 3 milhões a 3,4 milhões de toneladas métricas, contra 4,5 milhões de toneladas no ano anterior, o nível mais baixo desde a safra de 2016/17.
"As baixas taxas de exportação estão aumentando a pressão sobre o mercado interno", disse Andrey Sizov, diretor da Sovecon.
A consultoria russa Ikar reduziu, nesta terça-feira, sua previsão para o potencial de exportação de trigo do país na atual safra de 2026/27 para 44,5 milhões de toneladas, ante uma expectativa anterior de 45 milhões de toneladas.
O potencial total de exportação de grãos da Rússia para a safra é de 60 milhões de toneladas, informou a consultoria.
A Ucrânia reduziu sua própria previsão de exportação de grãos para a safra de julho a junho de 2026/27 para 38 a 40 milhões de toneladas, o que representa uma queda de até 12% em relação à projeção anterior, devido aos ataques ao seu centro portuário de Odessa, no sul do país, informou o ministro da Agricultura à Reuters na segunda-feira.
Na última semana, a Turquia emitiu advertências a Moscou e Kiev sobre os ataques no Mar Negro, instando as partes em conflito a tomarem medidas para garantir a segurança da navegação na região.
Os custos mais elevados de frete também estão pesando sobre as exportações, tendo subido cerca de US$10 por tonelada para os principais destinos na semana passada, disse Sizov, da Sovecon, em seu relatório semanal sobre o trigo na segunda-feira.
Desde 10 de julho, os ataques têm interrompido o tráfego marítimo no Mar de Azov, cujos portos na Rússia e nas regiões da Ucrânia controladas pela Rússia se conectam ao Mar Negro por meio do Estreito de Kerch.



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