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Famílias de desaparecidos no México marcham na capital no início da Copa do Mundo

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Famílias de desaparecidos no México marcham na capital no início da Copa do Mundo
Famílias de desaparecidos no México marcham na capital no início da Copa do Mundo

Por Sarah Morland

CIDADE DO MÉXICO, 11 Jun (Reuters) - Centenas de familiares de pessoas desaparecidas -- um número que chega a quase 135 mil no México -- marcharam nesta quinta-feira na Cidade do México, aproveitando a cerimônia de abertura da Copa do Mundo da Fifa para angariar apoio e denunciar o que descreveram como falta de ação por parte do governo.

Manifestantes de organizações de base conhecidas como “madres buscadoras” (mães que procuram) chegaram de ônibus à capital vindos de vários outros Estados na noite de quarta-feira para participar de uma vigília à luz de velas e de uma marcha maior no Estádio da Cidade do México antes do início do evento.

Hector Aguila, de 59 anos, que organiza o grupo de buscadores Luz de Esperanza (Luz de Esperança), com sede em Jalisco, e procura seu filho desde 2023, disse que as famílias estão sendo revitimizadas por processos burocráticos longos e infrutíferos.

"Não somos contra a Copa do Mundo, não somos contra as pessoas que vêm aqui para aproveitar a festa", disse ele do lado de fora de uma grande festa de torcedores na praça principal. "Somos contra o fato de investirem tantos milhões de pesos nisso enquanto nós somos deixados no esquecimento."

Alexandra Campa, de 40 anos, que procura seu irmão mais novo há mais de um ano e integra diversos coletivos em Jalisco, um dos Estados mais violentos do México, disse à Reuters que considera um desperdício de tempo buscar ajuda do governo estadual.

“Todo mês eles trocam o advogado”, disse ela. “Nunca há uma solução e há milhares de casos como o meu.”

Os protestos do dia começaram pacificamente, com coletivos vestindo camisas brancas ou camisetas verdes da seleção mexicana de futebol estampadas com fotos de seus entes queridos desaparecidos. Mais tarde, porém, alguns grupos derrubaram cercas e entraram em confronto com forças de segurança, e centenas de policiais de choque foram mobilizados nas ruas ao redor do estádio.

O governo atribui os desaparecimentos principalmente aos cartéis e afirma que muitos ocorreram em meio à violência ligada à “guerra contra as drogas” militarizada do ex-presidente Felipe Calderón, no final dos anos 2000. O governo diz ainda que localizá-los é uma prioridade nacional.

Mas críticos dizem que o parco apoio do Estado e os atrasos institucionais forçam as famílias a procurarem sozinhas em áreas perigosas, onde alguns ativistas foram mortos. Também argumentam que o alto número de casos não resolvidos mascara a escala da violência letal no segundo país mais populoso da América Latina.

Antes da partida de abertura, ativistas colocaram milhares de cartazes de pessoas desaparecidas em rotatórias e ao longo dos trilhos do trem que leva ao estádio principal. Também usaram grafites em paredes e pontos de ônibus com slogans de protesto como: “A bola está voltando para casa, mas quando nossos filhos voltarão?”

No Anjo da Independência, um dos monumentos mais famosos da cidade, turistas tiravam fotos e um artista dançava ao som do hino da Copa do Mundo de Shakira e Burna Boy, enquanto, ao fundo, a palavra “heróis” era riscada na placa de pedra da estátua, substituída por “desaparecidos”.

Campa disse se sentir abandonada e espera que os protestos mobilizem apoio internacional para os esforços de busca.

“Estamos aqui para que, se nossos familiares puderem nos ver, saibam que estamos procurando por eles, que os amamos e sentimos muita saudade”, disse ela.

(Reportagem de Sarah Morland)

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