Por Crispian Balmer
VENEZA, 1 Set (Reuters) - Hollywood está enfrentando uma crise e se afastou em grande parte do Festival de Cinema de Veneza deste ano, abrindo espaço para uma programação marcada pela política global e pelas turbulências sociais, afirmou na terça-feira o diretor do evento.
O diretor do festival, Alberto Barbera, disse que a programação ousada reflete o crescente envolvimento dos cineastas com os acontecimentos contemporâneos, que vão desde o conflito em Gaza e a invasão russa da Ucrânia até a ascensão dos bilionários e as medidas de controle da imigração nos Estados Unidos.
O festival de cinema mais antigo do mundo, que começa na quarta-feira e vai até 12 de setembro, tradicionalmente marca o início da temporada de premiações, mas muitos dos candidatos ao Oscar apoiados pelos estúdios — que antes lotavam sua programação — estão ausentes, assim como estiveram em Cannes, em maio.
“O problema é Hollywood. Eles enfrentam uma enorme crise”, disse Barbera à Reuters. “Estão produzindo menos filmes, que são mais caros. Alguns deles dão muito certo e outros, ao contrário, são um desastre comercial. Por isso, não sabem o que fazer.”
Especialistas do cinema afirmam que orçamentos mais apertados reduziram o entusiasmo dos estúdios por estreias caras em Veneza. Eles também temem críticas devastadoras, como as que afundaram a sequência de “Coringa” em Veneza em 2024, antes mesmo de poderem apresentá-la ao público pagante.
No entanto, Veneza não vai ficar sem o brilho das estrelas. George Clooney e Ellen Burstyn receberão prêmios pelo conjunto de suas carreiras, enquanto Robert Pattinson, Penélope Cruz, Javier Bardem, John Malkovich e Rooney Mara são todos esperados no Lido.
As estrelas do rock britânico Liam e Noel Gallagher também marcarão presença na estreia de “Don’t Look Back in Anger”, um documentário sobre o Oasis e a reunião da banda.
A programação de 2026 inclui novos filmes de diretores de renome, entre eles Martin McDonagh, Florian Zeller, Danny Boyle e Werner Herzog, que disputarão o Leão de Ouro.
O Festival será aberto com “Ink”, de Boyle, um drama sobre a aquisição, em 1969, do tabloide britânico “The Sun” por Rupert Murdoch, o que ajudou a lançar seu império global de mídia.
Barbera apontou o filme como um dos favoritos ao Oscar, assim como os filmes do sul-coreano Lee Chang-dong, do japonês Hirokazu Kore-eda e de Shinya Tsukamoto, outro cineasta japonês que apresentará uma história em inglês sobre a Guerra do Vietnã, “Mr. Nelson, Did You Kill People?”.




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