RIO DE JANEIRO, 16 Set (Reuters) - O preço médio da gasolina nos postos do Brasil caiu 0,30% na primeira quinzena de setembro ante o mesmo período de agosto, para R$6,72 por litro, apontou o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) nesta quarta-feira, após a redução de tributos federais sobre o combustível anunciada pelo governo na semana passada.
Já o diesel S-10 avançou 0,42% no período, para R$7,11 por litro, em momento em que as tensões geopolíticas no Oriente Médio e ataques a refinarias russas geram preocupações sobre a oferta, apontou o levantamento, com base em abastecimentos realizados nos 21 mil postos credenciados da Edenred Ticket Log.
Há uma semana, o governo reduziu as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre a gasolina. Na ocasião, a Petrobras retirou um desconto menor a distribuidoras que estava em vigor como parte de um outro programa de subsídio federal que chegou ao fim, permitindo um efeito líquido para as distribuidoras de uma redução de R$0,19 por litro no preço com tributos.
Na ocasião, a petroleira chegou a informar um reajuste de preços dela, mas reviu o anúncio no dia seguinte.
Já o avanço do diesel interrompe uma trajetória de alívio observada em agosto.
Segundo levantamento da Edenred Ticket Log (IPTL) divulgado nesta quarta-feira, o petróleo Brent superou US$105 por barril no período, em um cenário marcado por preocupações com a oferta global após ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita e maiores riscos para importantes rotas marítimas da região.
"A dinâmica internacional é um dos elementos que deve ser acompanhado de perto. Uma eventual manutenção do petróleo em patamares elevados pode ampliar a pressão sobre a relação entre os preços praticados nas refinarias e as referências internacionais, sobretudo no diesel, combustível de maior peso na operação do transporte rodoviário", afirmou em nota o diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade, Vinicios Fernandes.
"Para o setor, o cenário reforça a necessidade de monitorar possíveis movimentos de preços e seus reflexos sobre os custos logísticos", acrescentou.
A escalada dos preços internacionais do diesel neste mês ampliou para níveis recordes a defasagem em relação aos valores praticados pela Petrobras, levando importadores a adiarem decisões de compra e aumentando preocupações com restrições localizadas de oferta e distorções regionais no mercado brasileiro, disseram executivos dos setores de distribuição e importação à Reuters.
A Petrobras tem mantido seus preços de diesel estáveis enquanto participa de um programa de subvenção do governo federal. O Brasil importa cerca de 30% do diesel consumido no país, abastecimento realizado por diversos agentes além da estatal, incluindo distribuidoras e importadoras, além de contar com produtores privados nacionais.
Já o etanol hidratado, concorrente direto da gasolina nas bombas, subiu 1,69% na primeira quinzena de setembro ante o mesmo período de agosto, para R$4,21 por litro, segundo o IPTL, em momento em que os preços estão mais altos nas usinas, com atrasos na moagem de cana por chuvas.
(Reportagem de Marta Nogueira; edição de Roberto Samora)



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