NUUK, 8 Jul (Reuters) - Os groenlandeses que participavam de um campeonato tradicional de caiaque em Nuuk rejeitaram, nesta quarta-feira, o apelo renovado do presidente norte-americano, Donald Trump, para que os Estados Unidos assumam o controle da ilha ártica, afirmando que seu futuro deve ser decidido pelos próprios groenlandeses.
Em discurso durante uma cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Ancara, na Turquia, Trump renovou esta semana sua exigência de obter o controle da Groenlândia, um território dinamarquês semiautônomo, argumentando que isso era importante para a segurança nacional dos EUA.
No campeonato de caiaques no porto de Nuuk, onde os competidores realizavam manobras de capotagem na água, virando seus caiaques de cabeça para baixo e voltando-os à posição normal, os espectadores afirmaram que Trump estava focado nos recursos naturais da ilha, e não nos desejos de seu povo.
“Ele só pensa em commodities e petróleo”, disse Frederik Larsen, 72 anos, um aposentado nascido na Groenlândia. “Acho que podemos nos virar sem ele.”
A professora da rede pública Birgithe Geisler, de 60 anos, disse que a Groenlândia pertencia aos groenlandeses.
“Ninguém mais deveria decidir por nós”, disse ela.
Hans David Ezekiassen, instrutor do Centro Marítimo da Groenlândia, foi mais direto.
“Acho que é uma merda, para dizer o mínimo”, disse ele. “Ele nem consegue controlar o próprio país, então por que tem que tentar dominar outros países?”
Andy Thon, 49 anos, engenheiro norte-americano e membro da Qajaq USA que participa do campeonato e está de visita, disse que a Groenlândia já está no caminho rumo a uma maior autonomia em relação à Dinamarca.
“Juntamente com a Dinamarca, eles estão caminhando rumo à autonomia total, e os EUA não precisariam da Groenlândia como ponto estratégico se estivessem agindo de boa fé com nossos aliados”, disse ele.
As declarações de Trump geraram novas reações negativas por parte dos líderes dinamarqueses e groenlandeses. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, disse nesta quarta-feira que os repetidos apelos para tomar a ilha não mudavam o fato de que a Groenlândia não está à venda.
(Reportagem de Tim Barsoe em Nuuk)



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