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Guaxinins das cidades estão se tornando mais "domesticados", aponta estudo

Guaxinins das cidades estão se tornando mais "domesticados", aponta estudo
Guaxinim urbano em busca de alimento em lata de lixo

Um novo estudo mostra que guaxinins que vivem em áreas urbanas dos Estados Unidos estão passando por mudanças físicas sutis, um possível primeiro passo rumo à domesticação. Pesquisadores analisaram quase 20 mil fotografias do animal, conhecido por suas patas ágeis e pela "máscara" característica ao redor dos olhos, e descobriram que os exemplares que vivem em cidades têm o focinho cerca de 3,5% mais curto do que o de seus parentes que habitam áreas rurais.

A explicação está ligada ao comportamento dos animais diante da fartura de restos de comida produzida pelos seres humanos. Para aproveitar esse "banquete" sem virar uma ameaça, os guaxinins precisam ser ousados o suficiente para vasculhar o lixo, mas também comedidos o bastante para conviver de forma pacífica perto das pessoas. Segundo os cientistas responsáveis pela pesquisa, essa pressão seletiva favorece indivíduos com reações de medo mais brandas, que conseguem se alimentar com mais sucesso nesses ambientes e repassam esse traço de comportamento a seus filhotes.

Curiosamente, focinhos mais curtos, cabeças menores, orelhas caídas e manchas brancas na pelagem já eram associados à docilidade desde as observações do naturalista Charles Darwin, no século 19. Só em 2014, no entanto, cientistas encontraram uma explicação mais completa para esse padrão, batizado de "síndrome da domesticação": ele estaria ligado ao desenvolvimento das chamadas células da crista neural, estruturas formadas ainda no embrião que influenciam características como o formato do focinho, a pigmentação do pelo e as respostas de medo do animal.

Os pesquisadores pretendem aprofundar a investigação, comparando a genética e os hormônios de estresse entre guaxinins urbanos e rurais, além de verificar se o mesmo padrão se repete em outras espécies comuns em ambientes urbanos, como tatus e gambás.

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