Por Rohith Nair
MIAMI, 9 de julho (Reuters) - Erling Haaland já se acostumou à vida sob os holofotes, mas a febre em torno do atacante atingiu seu auge no momento em que a Noruega se prepara para a partida mais importante da história do país — as quartas de final da Copa do Mundo contra a Inglaterra.
O jogador de 25 anos carrega as esperanças de toda uma nação, mas o jovem atacante parece estar curtindo cada segundo, e é difícil não perceber a magnitude dessa obsessão.
“Uma coisa para fazer hoje... pesquisar meu nome no Google”, escreveu Haaland em suas redes sociais.
Pesquise o nome de Haaland no Google e uma surpresa aparece: a agora icônica “remada viking”, acompanhada da batida forte dos tambores que se tornou a trilha sonora da notável trajetória da Noruega na Copa do Mundo.
Após 28 anos sem participar da Copa do Mundo, a classificação da Noruega transformou Haaland no rosto de uma seleção franco-atiradora que acabou derrotando o Brasil e conquistou até mesmo os corações de torcedores que raramente assistem a jogos de futebol.
Desde vídeos gerados por IA mostrando Haaland como líder de um exército viking contra a Inglaterra até imagens dele reimaginado como um ídolo do K-Pop, não há dúvidas de que o imponente atacante se tornou uma das pessoas mais reconhecidas do planeta.
Com milhões de seguidores nas redes sociais, a música viral “Haaland” dominou memes, melhores momentos e vídeos comemorativos na Copa do Mundo.
Também não há como escapar da intensa atenção da imprensa na base de treinamento da Noruega nas instalações do Inter Miami, onde a aglomeração de câmeras e repórteres diz tanto quanto qualquer estatística.
“Acho que é a maior entrevista coletiva até agora”, comentou o meia Morten Thorsby ao olhar ao redor para a aglomeração de jornalistas.
“NÃO ESPERAVA ISSO”
Apesar de estar empatado com Kylian Mbappé com sete gols na disputa pela artilharia da Copa do Mundo, um atrás de Lionel Messi, Haaland admitiu que seu sucesso com a Noruega o pegou de surpresa.
“Eu não esperava isso de jeito nenhum. Já disse isso várias vezes. Mesmo antes do jogo contra o Brasil, eu não esperava”, afirmou Haaland. “Estar nas quartas de final com a Noruega na Copa do Mundo é bastante surpreendente, até mesmo para mim."
“Só o fato de poder jogar na Copa do Mundo já é, para mim, uma enorme honra e era uma meta muito importante na minha carreira. Estar aqui e jogar no maior palco do mundo com meus amigos noruegueses contra as melhores seleções do mundo é realmente especial.”
Apesar de seus feitos heroicos, os companheiros de equipe falam menos sobre seus gols do que sobre a personalidade simples de Haaland. Kristian Thorstvedt o descreveu como um exemplo a ser seguido, e não uma celebridade.
“Cada um tem seu jeito de viver e de fazer as coisas. Todos nós observamos uns aos outros, pegando dicas sobre profissionalismo e sobre como tirar a cabeça do futebol”, disse Thorstvedt.
“Erling, é claro, tem seus próprios métodos. É inspirador de se ver quando ele está indo tão bem. A gente quer saber o que ele está fazendo para que a gente também possa aprender.”
“ISSO NÃO É NORMAL”
A impressionante vitória sobre o pentacampeão Brasil nas oitavas de final ainda parece um pouco irreal e, sem dúvida, foi uma injeção de confiança para a Noruega.
“Jogar contra o Brasil foi meio louco para nós, noruegueses, e vencer o Brasil para depois enfrentar a Inglaterra nas quartas de final da Copa do Mundo nos EUA é algo bem especial”, disse Haaland.
“Se você observar o que está acontecendo na Noruega, isso não é normal para o país. É superespecial.”
Os torcedores da Noruega têm se deleitado com a euforia dessa campanha de conto de fadas, realizando sua "remada viking" na Times Square, em Nova York, e em uma escada rolante em Boston.
Haaland abraçou o absurdo tanto quanto qualquer um.
“É importante brincar... Gosto de brincar um pouco e gosto de me divertir. Isso é fundamental para o meu dia a dia — brincar e, claro, treinar bem e me preparar bem”, disse Haaland.
“Assim como jogamos na Copa do Mundo, só temos que aproveitar, porque nada dura para sempre. Temos que aproveitar enquanto estamos aqui”, acrescentou.
(Reportagem de Rohith Nair, em Miami;)




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