CAIRO/DUBAI, 8 Set (Reuters) - Os houthis do Iêmen, apoiados por Teerã, atacaram instalações de energia e cidades na Arábia Saudita, aliada dos EUA, na terça-feira, ferindo mais de 70 pessoas e ressaltando o risco de o conflito com o Irã se transformar em uma guerra regional mais ampla.
O conflito no Irã, que já dura seis meses, tem sido marcado por um ciclo de pausas seguidas por recrudescimentos periódicos desde que os EUA e Israel lançaram ataques em 28 de fevereiro com o objetivo de pôr fim ao programa nuclear de Teerã, impedir sua capacidade de atacar vizinhos e restringir seu apoio a grupos aliados na região.
Os ataques ocorreram depois que o Irã alertou que a infraestrutura energética em todo o Golfo, incluindo os interesses dos EUA no setor de petróleo e gás, estava vulnerável na sequência de uma troca de ataques em retaliação contra navios no Golfo e arredores no último fim de semana. Os ataques fizeram com que os preços do petróleo subissem para os níveis mais altos em mais de seis semanas.
Incêndios eclodiram em algumas instalações de energia e várias pessoas ficaram feridas enquanto equipes de combate a incêndios e outras equipes de emergência corriam para os locais para conter as chamas, informou o Ministério da Energia da Arábia Saudita.
Pelo menos 73 pessoas ficaram feridas em ataques a quatro cidades no sul da Arábia Saudita, informou um porta-voz da coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen.
“A coalizão tomará todas as medidas operacionais necessárias para deter essa milícia terrorista e enfrentará com determinação sua postura hostil”, afirmou o coronel Turki al-Malki em comunicado divulgado na plataforma X.
Os houthis, que controlam as regiões mais populosas do Iêmen e grande parte do norte do país, vêm lançando ataques contra a Arábia Saudita desde que declararam um bloqueio naval contra Riade em julho, com ataques direcionados a navios sauditas no Mar Vermelho.
As interrupções na navegação pelo Mar Vermelho aumentaram as preocupações com o abastecimento global de petróleo e gás, já que o Irã continua a restringir a navegação pelo estratégico Estreito de Ormuz, com o tráfego de navios de commodities diminuindo novamente nesta semana.
'ZONA DE EXCLUSÃO MARÍTIMA'
A República Islâmica prometeu anunciar uma nova zona restrita no Golfo nos próximos dias, juntamente com mapas de um novo corredor de navegação pelo Estreito de Ormuz, embora não estivesse claro quando os detalhes seriam divulgados.
A nova zona restrita teria início no ponto onde começa o bloqueio dos EUA ao Irã e se estenderia a áreas do Golfo, disse Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, à televisão estatal no domingo, acrescentando que qualquer navio que entrasse na área seria incluído em uma lista de sanções iranianas.
Rezaei reiterou na terça-feira ameaças econômicas e militares no X.
“Nos últimos dias, Washington recebeu um aviso claro dos novos mísseis do Irã. A guerra econômica será respondida com uma zona de exclusão marítima que se estenderá pelo Golfo Pérsico até o perímetro do bloqueio. A postura operacional em relação aos navios de guerra e às bases dos EUA foi fundamentalmente recalibrada”, disse Rezaei.
Rezaei provavelmente se referia ao míssil balístico Qassem Basir, que, segundo a mídia iraniana, foi disparado contra navios de guerra dos EUA perto do Estreito de Ormuz. As Forças Armadas dos EUA afirmaram que seus navios de guerra evitaram quaisquer ataques com mísseis.
Apesar dos intensos ataques dos EUA, que enfraqueceram as forças convencionais do Irã e prejudicaram sua economia já debilitada, o país manteve suas capacidades de mísseis e drones para ameaçar petroleiros que transitam pelo Estreito de Ormuz sem sua permissão e atacar vizinhos do Golfo que abrigam bases militares dos EUA.
Cerca de um quinto dos embarques globais de petróleo e gás natural liquefeito passava pelo estreito antes da guerra, o que permitia ao Irã ameaçar os petroleiros dos vizinhos do Golfo que buscavam exportar petróleo e gás.
Isso elevou os preços da energia em um momento em que a guerra — que, segundo pesquisas de opinião, é impopular nos EUA — aumentou os riscos para o Partido Republicano do presidente Donald Trump nas eleições legislativas de novembro.
“Os preços do petróleo cairão vertiginosamente, assim como tudo o mais está caindo (mas ainda mais!), quando VENCERMOS a guerra contra o Irã. Três dólares por galão, mas, no fim das contas, abaixo de dois dólares por galão. Tudo isso acontecerá rapidamente, e o Irã nunca terá uma arma nuclear”, disse Trump nas redes sociais.
(Reportagem de Enas Alashray, no Cairo; reportagem adicional de Nayera Abdallah e Eman Abouhassira, em Dubai)




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