CAIRO/DUBAI, 15 Out (Reuters) - Os houthis do Iêmen dispararam mísseis contra o complexo do palácio presidencial na cidade de Áden, no sul do país, nesta quinta-feira, matando dois guardas, enquanto a coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen divulgou detalhes de dezenas de ataques a infraestruturas sauditas no conflito que vem se intensificando.
O ataque foi o primeiro, no atual conflito entre os houthis — alinhados ao Irã — e a Arábia Saudita, contra o palácio al-Maashiq, em Áden, sede do governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita e reconhecido internacionalmente. O conflito é um novo palco na guerra regional mais ampla que teve início com os ataques dos EUA e de Israel ao Irã em fevereiro.
O primeiro-ministro e os membros do gabinete do governo estavam a salvo após o ataque, afirmou o ministro da Informação do Iêmen, Moammar al-Eryani. Testemunhas relataram à Reuters que ouviram fortes estrondos perto do palácio. O gabinete do Iêmen informou que o ataque envolveu mísseis e drones, e autoridades disseram à Reuters que dois guardas foram mortos.
O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, disse que os houthis bombardearam o que ele descreveu como o quartel-general das operações militares sauditas em Áden, como parte da política declarada do grupo de atacar “reforços sauditas onde quer que estejam localizados”.
A agência de notícias SABA, controlada pelos houthis, informou que o quartel-general era comandado por oficiais sauditas e que havia depósitos de armas no local. A Reuters não conseguiu verificar essas alegações de forma independente.
Os novos combates entre os houthis e as forças apoiadas pela Arábia Saudita recomeçaram no Iêmen no mês passado, e agências humanitárias alertaram para o rápido agravamento das condições.
Na semana passada, as forças governamentais lançaram uma campanha para recapturar áreas controladas pelos houthis, recuperando território próximo ao Estreito de Bab el-Mandeb, uma artéria global do transporte marítimo.
Moradores de Taiz, a noroeste de Áden, afirmaram que enfrentam bombardeios cada vez mais intensos e escassez de suprimentos, à medida que os houthis reforçam seu controle sobre áreas ao redor da cidade, a terceira maior do Iêmen.
A guerra eclodiu no Iêmen em 2014, quando os houthis tomaram a capital, Sanaa, forçando o governo a se retirar para o sul. Uma intervenção militar liderada pela Arábia Saudita no ano seguinte levou a um impasse sangrento, antes de um acordo de trégua em 2022 que se manteve até este ano.
Com a Arábia Saudita apoiando as forças governamentais, os houthis têm disparado mísseis balísticos e drones contra aeroportos, portos e instalações petrolíferas sauditas, transformando a Arábia Saudita — uma aliada dos EUA — em um ponto de pressão no conflito mais amplo e ameaçando seus ambiciosos planos econômicos.
Na quinta-feira, a coalizão militar liderada pelos sauditas informou que os houthis tentaram atacar dezenas desses locais, evidenciando o risco para a infraestrutura civil saudita. O conselho diretor da Organização da Aviação Civil Internacional, ligada à ONU, condenou os recentes ataques a aeroportos civis, aeronaves e infraestrutura de aviação na Arábia Saudita.
O porta-voz da coalizão, Turki al-Maliki, informou aos repórteres que os houthis realizaram 20 ataques ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, neste mês, deixando 17 mortos e 333 feridos. O aeroporto é um dos principais centros de aviação internacional da Arábia Saudita.
A coalizão afirmou que ataques houthis ao aeroporto de Abha, no sudoeste da Arábia Saudita, próximo à fronteira com o Iêmen, resultaram na morte de três pessoas e deixaram 28 feridas.
(Reportagem de Mohammed Ghobari, Enas Alashray, Timour Azhari e Eman Abouhassira; Reportagem adicional de Allison Lampert em Montreal)
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