SÃO PAULO, 31 Ago (Reuters) - O Mato Grosso deverá ampliar em 0,59% a área plantada com milho na temporada 2026/27, para 7,48 milhões de hectares, com incertezas climáticas ligadas ao El Niño limitando o potencial de plantio, afirmou nesta segunda-feira o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em sua primeira projeção para a nova safra.
O plantio de milho no principal Estado produtor do cereal no Brasil, predominantemente feito na segunda safra, após a colheita da soja, deverá acontecer apenas no início do ano que vem.
"Para a safra 2026/27, as variáveis consideradas pelo modelo indicam um cenário de maior cautela para o milho segunda safra. A perspectiva de atuação do El Niño pode influenciar o desenvolvimento da soja, cultura que antecede o cereal...", disse o instituto ligado à federação de produtores.
Eventuais atrasos no ciclo da soja podem reduzir a janela disponível para o plantio de milho, ampliando a parcela semeada fora do período climático considerado ideal, frisou o Imea, aumentando os riscos para a produtividade.
O instituto comentou ainda que uma possível antecipação do encerramento das chuvas em 2027, sobretudo se associada a temperaturas elevadas, poderá aumentar o risco de restrição hídrica nas fases importantes da cultura, o que resultaria em uma colheita menor por hectare.
O Imea estima a produtividade em 119,64 sacas/ha, redução de 8,05% em relação à safra anterior.
Considerando a área projetada e a produtividade média, a primeira estimativa do Imea aponta produção de 53,68 milhões de toneladas, recuo de 7,50% em relação à temporada 2025/26, quando o Mato Grosso obteve um recorde de 58 milhões de toneladas.
Para 2026/27, o Imea projeta um ligeiro crescimento de área plantada associado à perspectiva de fortalecimento da demanda doméstica pelo cereal, "que vem oferecendo suporte às cotações futuras e à manutenção do interesse do produtor pela cultura".
PREVISÃO PARA SOJA
Às vésperas do início do plantio de soja em 2026/27, o Imea manteve as projeções de área, produtividade e produção, "uma vez que ainda não há informações de campo que justifiquem alterações nas estimativas".
O cenário de El Niño já estava considerado na estimativa inicial do Imea, disse o instituto, citando que há "sinais mais consistentes de maior intensidade" do fenômeno climático.
"Mais do que o volume acumulado de chuvas, a regularidade e a distribuição ao longo do ciclo serão determinantes para o desenvolvimento das lavouras", afirmou.
Com o encerramento do vazio sanitário da soja em Mato Grosso previsto para 7 de setembro, os primeiros movimentos de semeadura poderão ser observados no próximo mês nas regiões que apresentarem condições adequadas de umidade no solo.
A área plantada com soja em Mato Grosso está projetada em 13,05 milhões de hectares, alta anual de 0,25%, enquanto a produtividade segue estimada em 62,44 sacas/ha, queda de 5,4% no comparativo com a temporada passada.
Nessas condições, a produção da nova safra no maior produtor brasileiro da oleaginosa foi estimada em 48,88 milhões de toneladas, queda de 5,19% ante o recorde do ciclo passado, de 51,6 milhões de toneladas.
(Por Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)




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