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Irã ataca bases americanas no Golfo após Trump ordenar ataques perto de Ormuz

Reuters
Irã ataca bases americanas no Golfo após Trump ordenar ataques perto de Ormuz
Irã ataca bases americanas no Golfo após Trump ordenar ataques perto de Ormuz

DUBAI/WASHINGTON, 10 Jun (Reuters) - A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter realizado ataques com mísseis e drones contra bases militares americanas na Jordânia, no Kuweit e no Barein nesta quarta-feira, em retaliação aos ataques dos EUA contra alvos iranianos na região do Estreito de Ormuz.

A troca de ataques, ocorrida depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã havia derrubado um helicóptero Apache norte-americano perto do estreito, marca uma das escaladas mais significativas desde que Washington e Teerã concordaram com um cessar-fogo em abril.

“Acredito que a resposta deva ser muito forte, muito poderosa, e é isso que esta resposta representa”, disse Trump à ABC News na terça-feira.

As Forças Armadas dos EUA afirmaram ter atacado defesas aéreas iranianas, estações de controle terrestre e instalações de radar de vigilância no que descreveram como uma “resposta proporcional” ao abate do helicóptero, cujos dois tripulantes foram resgatados.

Os ataques de retaliação, poucos dias depois de o Irã ter trocado tiros com Israel pela primeira vez desde o cessar-fogo, lançam novas dúvidas sobre as perspectivas de um acordo para encerrar a guerra, que começou em 28 de fevereiro com ataques conjuntos dos EUA e de Israel ao Irã.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que Teerã “reavaliaria” seu envolvimento diplomático com Washington após “repetidas violações do cessar-fogo”.

"Qualquer processo diplomático requer um ambiente mínimo de estabilidade", disse Esmaeil Baghaei.

Os ataques dos EUA duraram cerca de quatro horas na terça-feira, com o Comando Central informando pouco antes das 22h no horário de Brasília que as operações haviam terminado. Uma autoridade norte-americana disse que quase 20 alvos iranianos foram atingidos.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC na sigla em inglês) informou que a Ilha de Qeshm e a cidade portuária de Sirik foram atacadas. A mídia iraniana também noticiou explosões em Bandar Abbas, outra cidade portuária, e posteriormente perto de Jask, na entrada do Estreito de Ormuz.

IRÃ ATACA BASES DOS EUA

A IRGC afirmou ter atacado bases americanas no Barein, Kuweit e Jordânia com drones e mísseis em resposta à nova “agressão dos EUA”.

Afirmou ter disparado mísseis de longo alcance contra quatro locais na base norte-americana de al-Azraq, na Jordânia, incluindo hangares de caças F-35 e um centro de comando e controle, e que estava pronta para dar uma resposta “esmagadora e decisiva” a qualquer nova ação dos EUA.

Uma autoridade norte-americana, falando sob condição de anonimato, disse que as avaliações iniciais indicavam que quase todos os mísseis e drones iranianos haviam sido interceptados, sem relatos imediatos de ferimentos a pessoal norte-americano ou danos às instalações dos EUA. O Pentágono não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. A Reuters não conseguiu verificar imediatamente os relatos do campo de batalha.

As forças armadas da Jordânia afirmaram ter interceptado e abatido cinco mísseis lançados do Irã em direção a al-Azraq, e que os destroços que caíram não causaram feridos nem danos.

O Ministério da Defesa do Kuweit informou ter interceptado “alvos aéreos hostis”, enquanto as defesas aéreas do Barein repeliram ataques iranianos, disse um assessor de mídia do rei em X. O Kuweit abriga instalações militares dos EUA, incluindo uma importante base aérea, enquanto o Barein é sede da frota regional da Marinha dos EUA.

As ações asiáticas caíram e os preços do petróleo subiram em meio às renovadas hostilidades, embora os movimentos tenham sido mais moderados do que em conflitos anteriores no Golfo.

TRUMP MINIMIZA PERDA DE HELICÓPTERO

O helicóptero de ataque dos EUA foi abatido por um drone de ataque iraniano de uso único, segundo uma autoridade norte-americana que falou sob condição de anonimato. Dois tripulantes norte-americanos saíram ilesos, disse Trump.

O helicóptero caiu em águas ao largo da costa de Omã enquanto patrulhava, informou o exército dos EUA, acrescentando que a Marinha localizou e resgatou a tripulação.

A mídia estatal iraniana, citando uma fonte militar, afirmou que nenhuma operação aérea ofensiva havia sido realizada no Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas.

O Comando Central das Forças Armadas dos EUA informou que os dois tripulantes foram resgatados após duas horas e que se encontravam em condição estável — uma avaliação mais cautelosa do que a descrição de Trump.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, não abordou diretamente o incidente, mas alertou em uma postagem no X que as forças estrangeiras na região correm o risco de acidentes ou fogo cruzado.

“Para reduzir o risco, a melhor solução é que eles saiam”, escreveu ele.

Em declarações posteriores ao Wall Street Journal, Trump minimizou o incidente, dizendo que “não foi nada demais” e enfatizando que “o piloto está bem”.

No entanto, o episódio provavelmente aumentará ainda mais a tensão nos esforços para negociar um acordo de paz que ponha fim à guerra mais ampla no Oriente Médio e reabra o Estreito de Ormuz.

ACORDO DE PAZ PARECE REMOTO

O cessar-fogo no início de abril foi anunciado com planos para negociações de paz. Desde então, diplomatas têm buscado reabrir o Estreito de Ormuz, pôr fim ao bloqueio dos EUA aos portos iranianos e criar um caminho para negociações sobre o programa nuclear do Irã.

Trump afirmou repetidamente que um acordo está próximo, mas, apesar de várias rodadas de negociações indiretas mediadas pelo Paquistão e pelo Catar, os dois lados ainda parecem distantes.

Os combates em uma guerra paralela entre Israel e militantes do Hezbollah, apoiados pelo Irã, no Líbano continuaram, e Teerã manteve restrições à maior parte do tráfego marítimo pelo estreito, que antes da guerra transportava um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo. Washington manteve seu próprio bloqueio aos portos iranianos.

Trump afirmou que qualquer acordo de paz deve garantir que o Irã não possa desenvolver uma arma nuclear. O Irã nega ter tais ambições.

As exigências do Irã incluem o levantamento das sanções internacionais, a liberação de bilhões de dólares em ativos congelados, o reconhecimento de seu controle sobre o estreito e o fim dos combates no Líbano.

(Reportagem das agências da Reuters)

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