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Irã diz que ainda controla Estreito de Ormuz e que não pretende negociar, após Trump suspender bombardeios

Reuters
Irã diz que ainda controla Estreito de Ormuz e que não pretende negociar, após Trump suspender bombardeios
Irã diz que ainda controla Estreito de Ormuz e que não pretende negociar, após Trump suspender bombardeios

Por Nayera Abdallah e Elwely Elwelly

DUBAI, 27 Jul (Reuters) - O Irã afirmou nesta segunda-feira que ainda mantém o controle do Estreito de Ormuz e que não pretende retomar as negociações de paz com os Estados Unidos, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, suspendeu uma campanha de bombardeios de duas semanas que, segundo seus altos comandantes, já havia cumprido seu objetivo.

Após 13 noites consecutivas de bombardeios cada vez mais intensos, que levaram Teerã a disparar contra bases norte-americanas em resposta, Trump suspendeu a campanha no fim de semana. O Irã afirmou que suspenderia seus próprios ataques enquanto durasse a suspensão dos bombardeios por parte dos EUA.

A decisão de Trump de suspender a campanha refletiu a recomendação de seus altos comandantes de que os bombardeios, que visavam quebrar o domínio do Irã sobre o estreito, haviam atingido os limites do que poderiam alcançar, de acordo com uma autoridade norte-americana e ampla cobertura da mídia dos EUA.

A autoridade norte-americana disse à Reuters que os comandantes militares haviam informado ao presidente que estavam ficando sem alvos. A autoridade afirmou que o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, também havia expressado preocupação com o esgotamento das armas de defesa aérea utilizadas para proteger as bases dos EUA na região.

Reportagens semelhantes, indicando que assessores civis e militares haviam aconselhado Trump a interromper a campanha, foram veiculadas no fim de semana pelo New York Times, pela CNN, pela Axios e por outros veículos de comunicação.

O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, disse no domingo que Trump havia suspendido a campanha para abrir espaço para negociações.

Mas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, disse em uma coletiva de imprensa televisionada nesta segunda-feira que o Irã não havia solicitado a retomada das negociações de paz com os Estados Unidos.

O fim da campanha de bombardeios dos EUA fez com que os preços do petróleo despencassem, na esperança de que o abastecimento global, que havia sido interrompido, pudesse voltar a fluir. O petróleo Brent, que na semana passada havia ultrapassado brevemente a marca de US$100 por barril pela primeira vez desde maio, caiu cerca de 7,8% até o meio da manhã desta segunda-feira, ficando um pouco abaixo de US$90.

Mas, em uma clara tentativa de sinalizar que os bombardeios dos EUA haviam falhado em seu objetivo, Teerã indicou que ainda mantém o controle da via navegável mais importante do mundo para os mercados de energia.

Vários veículos da mídia estatal iraniana divulgaram a mesma notícia, citando uma “fonte bem informada” que afirmou que o Irã havia feito seis “navios infratores” voltarem na manhã desta segunda-feira, após estes terem tentado atravessar o estreito sem sua permissão. Uma das embarcações, segundo a fonte, sofreu “um acidente”.

“Conforme anunciado anteriormente, a rota de tráfego no Estreito de Ormuz é a rota especificada pelo Irã, e outras rotas estão bloqueadas e não têm saída”, afirmaram veículos de mídia estatais iranianos, citando a fonte.

Trump lançou sua nova campanha de bombardeios para punir o Irã depois que Teerã disparou contra navios que utilizavam uma rota pelo estreito promovida pelos Estados Unidos, que orientaram as embarcações a navegarem próximas à costa de Omã.

O Irã afirma que os navios só podem passar por um canal que fica mais próximo de sua própria costa, o qual o país controla e onde pretende cobrar taxas de trânsito.

As duas semanas de novos bombardeios dos EUA mataram dezenas de pessoas no Irã e destruíram pontes e túneis em todo o sul do país, além de alvos militares. Quatro militares norte-americanos foram mortos pelo fogo de resposta do Irã contra bases norte-americanas em países árabes vizinhos. O Irã também atacou infraestrutura civil em países do Golfo Pérsico, no que afirmou ser uma retaliação aos ataques dos EUA contra alvos civis.

Na semana passada, os aliados houthis do Irã ameaçaram estender a interrupção do abastecimento global de petróleo a uma segunda importante via navegável, anunciando um bloqueio à indústria petrolífera da Arábia Saudita no Mar Vermelho, o que elevou ainda mais os preços do petróleo.

A suspensão da nova campanha de bombardeios dos EUA não deixa nenhuma indicação clara de que tipo de pressão Washington pode exercer para alcançar o objetivo de Trump de quebrar o domínio do Irã sobre o estreito.

Washington e Teerã chegaram a um acordo em junho sobre um quadro para negociações que deveriam ocorrer até o final de agosto para resolver questões importantes, como o programa nuclear do Irã.

Mas as partes têm discordado sobre o significado da redação do memorando referente ao Estreito de Ormuz, com Washington insistindo que ele exige que Teerã permita a livre navegação, enquanto o Irã afirma que o documento lhe concede autoridade para supervisionar o trânsito.

O Irã pretende formalizar seu controle sobre o estreito por meio de um acordo com Omã, que controla a margem oposta. Uma delegação de alto escalão de Omã esteve em Teerã no fim de semana para discutir o futuro do estreito.

Os ministros das Relações Exteriores do Catar, dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita mantiveram, cada um, conversas por telefone para discutir o estreito com o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, de acordo com reportagens divulgadas nesta segunda-feira pela mídia estatal do Catar, dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que iniciou a guerra em fevereiro ao lado de Trump, mas não participou das negociações entre os EUA e o Irã para encerrá-la, deve se reunir com Trump em Washington no início desta semana.

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